Físicos tentam decifrar 'Partícula de Deus'
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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007
Frederic Garlan<br>France Presse 
Paris- Cientistas de três partes do mundo participam de uma corrida de bilhões de dólares para cruzar as fronteiras do conhecimento na área da física de partículas. Sua missão é decifrar os segredos da matéria escura e da ''Partícula de Deus'': uma partícula subatômica fundamental para o entendimento da natureza da matéria, mas tão difícil de compreender, que os físicos brincam afirmando que só pode ser comparada à divindade.
Na semana passada, um consórcio internacional anunciou em Pequim o desenvolvimento de um projeto para o mais caro acelerador de elétrons do mundo, o Colisor Linear Internacional (ILC, na sigla em inglês), com custo estimado em 6,7 bilhões de dólares. Em um túnel duplo de 31 quilômetros de comprimento, os físicos de partículas farão colidir elétrons e seus opositores antimatéria, os pósitrons, a 500 bilhões de elétrons-volt.
O plano é arremessar estas partículas a uma velocidade próxima à da luz. A colisão resultante poderá liberar matéria escura e energia escura, as substâncias invisíveis e enigmáticas que, juntas, acredita-se que componham 96% da massa do Universo.
''O ILC provavelmente representa o máximo que se pode alcançar com este tipo de tecnologia'', disse Guy Wormser, chefe do Laboratório do Acelerador Linear francês, que participou do encontro em Pequim.
Enquanto isso, cientistas dos Estados Unidos e da Europa lutam para ser os primeiros a detectar a partícula mais procurada da física: o bóson de Higgs.
Definido em 1960 por um físico britânico, Peter Higgs, acredita-se que o bóson de Higgs seja uma partícula elementar que responsável pela origem da massa das outras partículas conhecidas.
Se a existência do bóson Higgs existir, ela preencherá uma preocupante lacuna no Modelo Padrão, a estrutura centenária para descrever a natureza fundamental da matéria. Mas se não existir, os cientistas terão que voltar a desenvolver teorias.
Os europeus estão há meses de ativar o acelerador mais poderoso do mundo, o Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês), que está em construção no Centro Europeu para Pesquisa Nuclear (CERN), perto de Genebra. O LHC irá centrifugar prótons, que são partículas muito mais pesadas que os elétrons, a energias de até 14 trilhões de elétrons-volt (eV).
Até alguns meses atrás, parecia que o prêmio do Higgs estava quase nas mãos do LHC. Sozinho, ele teria o poder de explorar a hipotética massa das partículas, a um máximo de 166 gigaelétrons-volt (GeV). Mas cientistas do colisor Tevatron, nas instalações Fermilab, perto de Chicago, acreditam poder reverter o jogo.


