São Paulo - Os ministros europeus das Relações Exteriores decidiram ontem endurecer suas sanções econômicas contra a Síria, em particular contra os setores das finanças, petróleo e gás.
A União Europeia (UE) estendeu as sanções a 11 empresas e 12 pessoas, que terão seus bens congelados e vistos cancelados, devido à incessante repressão do regime de Bashar Assad contra a oposição síria.
A lista com os nomes de pessoas e empresas afetadas será divulgada na sexta-feira. Segundo diplomatas, a companhia estatal de petróleo da Síria, a General Petroleum Corporation (GPC), estará entre as empresas punidas.
As medidas são parte da uma ação mais ampla da UE para aumentar a pressão sobre Bashar Assad, que há mais de oito meses vem reprimindo protestos contra seu regime, o que, segundo cálculos da ONU, já deixou ao menos 3,5 mil mortos desde março.
O Exército Sírio Livre (ESL), formado por soldados desertores do Exército regular sírio, decidiu colocar um fim a seus ataques contra o regime de Bashar Assad, segundo fontes da oposição em Istambul.
A decisão teria ocorrido após reunião do grupo com membros do Conselho Nacional Sírio (CNS), que reúne boa parte da oposição síria, pela primeira vez na Turquia.
O encontro aconteceu na segunda-feira, na província turca de Hatay, na fronteira com a Síria, e as duas partes acertaram que ''o dever do Exército sírio livre é proteger o povo e não atacar'' o regime sírio, segundo Halid Hoca, membro do CSN.
A partir de agora, os soldados desertores devem usar as armas somente em atos de defesa própria ou de civis durante protestos pela queda de Assad, quando as forças de segurança do regime costumam usar violência para reprimir as manifestações.
Indo de encontro com a decisão de não atacar e apenas se defender, os opositores convocaram uma greve geral para pedir a renúncia do ditador. A notícia vem no mesmo dia em que foi revisado para cima o número de mortos na Síria desde o início dos protestos contra o regime, em março. Segundo informou a Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, ao menos 4 mil pessoas morreram nos oito meses de protestos, em um cenário que se aproxima cada vez mais da guerra civil.
''Estamos contabilizando em 4 mil. Mas as informações que chegam até nós mostram que (o número) é muito maior'', disse Pillay durante uma coletiva de imprensa.
A Comissão Independente de Inquérito afirmou na segunda-feira que forças sírias cometeram crimes contra a humanidade, incluindo a morte e a tortura de crianças, seguindo ordens de membros do alto escalão do regime de Bashar Assad.

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