Caracas - Clima de emoção dominou o aeroporto internacional Simón Bolívar, em Caracas (Venezuela) quando as colombianas Clara Rojas, 44 anos, e Consuelo González, 57, as duas ex-reféns das Farc libertadas ontem na Colômbia, chegaram. Elas foram recebidas, por volta das 16h25 (18h55 de Brasília) por familiares e altos funcionários do governo venezuelano.
Clara e Consuelo foram libertadas pela guerrilha depois de uma operação organizada pela Colômbia e pela Venezuela, em colaboração com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).
O sucesso da operação, conduzida com helicópteros a partir do aeroporto colombiano de San José de Guaviare (300 km ao sudeste de Bogotá), foi anunciado simultaneamente em Caracas pelo presidente venezuelano Hugo Chávez e em Bogotá por Barbara Hintermann, representante do CICV na Colômbia.
Emoção
Ao descer do avião, Consuelo González foi abraçada, entre lágrimas, por suas filhas Patricia e María Fernanda Perdomo, que a receberam com flores. Clara Rojas beijou sua mãe, Clara González, 76, que foi até as escadas do avião com a ajuda de um andador.
Os familiares de Consuelo usavam camisetas com a inscrição ''Liberdade para todos, já''. Ela também foi recebida por sua neta de dois anos, que não a conhecia: ''é como voltar a viver. Às vezes, penso que é um sonho''.
Clara Rojas, sequestrada junto com sua amiga e companheira de chapa presidencial Ingrid Betancourt, deve buscar na Colômbia seu filho Emmanuel, de três anos e meio, que está em um orfanato estatal em Bogotá.
Emmanuel, fruto de uma relação consentida com um guerrilheiro, foi localizado pelas autoridades colombianas no final de dezembro, quando se discutia a libertação dos reféns.
Operação
A deputada Consuelo González foi pega pela guerrilha em setembro de 2001. Clara Rojas foi capturada em 2002 junto com a franco-colombiana Ingrid Betancourt, da qual era diretora de campanha para a eleição presidencial na Colômbia.
A operação para libertá-las começou de manhã. Dois helicópteros da Venezuela pousaram no aeroporto de San José de Guaviare, abasteceram, e decolaram com os delegados da missão de resgate para ir buscar os reféns na selva.
O tráfego aéreo foi interrompido na região para facilitar a passagem dos helicópteros. As operações militares contra a guerrilha também foram suspensas pelo mesmo motivo, segundo ordem dada pelo presidente colombiano Alvaro Uribe.
O presidente Chávez havia anunciado na quarta-feira que tinha recebido da guerrilha as coordenadas do lugar onde as reféns seriam libertadas. Em resposta, Restrepo havia dito à imprensa que os dois governos iam ''coordenar'' seus esforços para recuperar as reféns ''o mais rápido possível''.

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