Autoridades eclesiásticas da América Central têm esperanças de que a visita de João Paulo II a Cuba faça pressão contra o embargo imposto pelos Estados Unidos a ilha e contribua para uma abertura do regime de Fidel Castro. A histórica visita também ajudaria que o governo ‘‘tome consciência’’ do respeito que se deve aos direitos humanos na Cuba comunista, segundo declarações de hierarcas da igreja católica do istmo.
Os líderes católicos também aproveitaram o momento para criticar a política americana para com a ilha caribenha. ‘‘Acredito que o embargo fique moralmente levantado quando o santo padre chegar, porque é a figura moral mais respeitada em todo o mundo’’, disse a AFP dom Oscar Rodríguez, presidente do Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM).
A arcebispado foi secundado com firmeza pelo arcebispo de San José, dom Román Arrieta, que classificou de ‘‘erro colossal’’ o embargo econômico imposto há 35 anos. ‘‘Não serviu ao objetivo de enfraquecer Castro, mas sim para castigar injustamente o povo cubano, o mais pobre entre os pobres’’, disse.
Para Arrieta, os Estados Unidos ‘‘não conseguiram derrubar’’ o regime socialista e ‘‘já se passou tempo mais que suficiente para se saber que o embargo não funcionou’’. Ele diz também que, por causa da visita do papa, o governo de Havana poderia modificar de forma significativa sua atitude para com a igreja.
Mais comedido - uma atitude pouco comum nele - o cardeal Miguel Obando y Bravo, arcebispo de Manágua, disse a AFP que a visita do Papa a Cuba é do ‘‘tipo pastoral’’, ainda que disse estar confiante em que ‘‘vai ser muito proveitosa para o povo’’.
O arcebispo de San Salvador, dom Fernando Sáenz, de tendência conservadora, estimou, por sua vez, que as autoridadades cubanas deverão compreeender ‘‘como são pouco coerentes com a natureza humana algumas das normas que continuam mantendo em Cuba’’. ‘‘O papa traz consido um ambiente de liberdade que contagia a todos. E os cubanos já estão contagiados. Já se observa até pessoas nas ruas mais liberadas que antes’’.

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