Cinco anos depois do fim da União Soviética, a maioria dos 300 milhões de cidadãos ex-soviéticos vive em crise e idealiza o extinto império, em sua posição de testemunha e vítima do difícil parto de uma comunidade realmente herdeira.
‘‘Comprovamos que a URSS, enquanto sujeito de direito internacional e realidade geopolítica, deixou de existir’’, proclamavam em 8 de dezembro de 1991 os presidentes da Rússia, Ucrânia e Bielorrússia, reunidos em uma dacha de Bielojevskaia Puchcha (Bielorrússia).
A declaração desferiu o golpe final em um império moribundo e lançou as 15 repúblicas federadas em um redemoinho do qual começam a sair somente agora.
Hoje começa a esboçar-se uma paisagem não muito agradável: enquanto uma minoria beneficiou-se com a liberalização econômica, enriquecendo-se, a maioria da população foi vítima desta liberdade, para ela sinônimo de empobrecimento e de insegurança psicológica.
Sessenta e cinco por cento dos russos estimam que o desaparecimento da URSS causou ‘‘mais mal do que bem’’ ao país, contra apenas 11%, que acham o contrário, segundo uma pesquisa feita mês passado pelo instituto russo VTsIOM.
Estes saudosistas de um império desaparecido citam como primeira causa de sua desilusão a desorganização econômica, que faz com que milhares de fábricas produzam a um ritmo lento, uma vez que as fronteiras e os impostos as separam de seus fornecedores e de seus clientes tradicionais.
Muitos russos têm dificuldades para adaptar-se à redução de seu espaço de vida - o território da Rússia nunca havia sido tão pequeno desde a época de Pedro, o Grande, no século XVIII -, que os obriga, por exemplo, a pedir visto para visitar um parente nos países bálticos.
Se a idéia comunista parece enterrada de forma definitiva - particularmente desde a derrota de Guennadi Ziuganov para Boris Yeltsin na recente eleição presidencial -, o debate sobre a inevitabilidade do fim da União Soviética continua.
‘‘Não era algo inevitável. O império soviético não tinha nada a ver com os impérios coloniais europeus do século XIX. Era o herdeiro do império russo, construído ao longo dos séculos por integração dos povos e com um recurso marginal à força’’, estima Serguei Kostrikov, conselheiro do ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev.
Para o presidente russo, Boris Yeltsin, a URSS ‘‘entrou para a História’’. ‘‘Tínhamos de salvar o que ainda podia ser salvo’’, afirmou à agência de notícias russa Interfax.
O ex-número um bielorrusso Stanislav Chuchkevich, também signatário do acordo de 1991, estima que o fim da URSS abriu o caminho a relações desprovidas de coerção, entre uma Rússia democrática e seus vizinhos.
Cinco anos depois do fim da URSS, as relações entre repúblicas ex-soviéticas se tornaram claras.
Os três países bálticos, anexados à União pela força do Exército Vermelho em 1940, viraram a página de um passado infeliz para bater à porta da União Européia.
A Comunidade de Estados Independentes (CEI), que reagrupa todas as repúblicas ex-soviéticas menos os países bálticos, se prepara para realizar uma reunião de cúpula em janeiro.

mockup