Filipinas retoma guerra às drogas
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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017
Folhapress 

São Paulo - Acabou a trégua nas Filipinas. Nesta terça-feira (28), o presidente Rodrigo Duterte anunciou que a Polícia Nacional (PNP) voltará a "neutralizar" traficantes de drogas e usuários que se neguem a se entregar ao programa de reabilitação. "Neutralizar", segundo grupos de direitos humanos, é um eufemismo para matar. O presidente declarou várias vezes que a polícia pode atirar para matar em "confrontos legítimos".
Desde 1º de julho do ano passado, quando Duterte tomou posse, a chamada "guerra às drogas" deixou 7.076 mortos. Desse total, 2.551 mortes foram atribuídas à polícia e 3.603, a grupos de extermínio. No mesmo período, morreram em ação 35 policiais e 3 militares.
Os dados são de até 31 de janeiro, última atualização disponível. Apesar da declarada pausa no combate policial, jornalistas em Manila continuaram reportando assassinatos por esquadrões da morte. Ainda nesta terça, o presidente ameaçou policiais que se envolvam em corrupção: "Não se surpreendam se eles começarem a ser mortos um por um".
BRASILEIROS PRESOS
Há pelo menos dois brasileiros presos nas Filipinas por envolvimento com drogas, segundo a Folha de S.Paulo apurou. Yasmin Silva, de 20 anos, foi detida em outubro no aeroporto de Manila quando tentava entrar no país com cerca de 6 kg de cocaína escondidos em um travesseiro. As penas de prisão para tráfico, porém, podem superar 40 anos, em cadeias cuja superlotação foi agravada desde que começou a guerra às drogas.
Embora o Congresso filipino esteja discutindo a volta da pena de morte para crimes relacionados a drogas, a pena capital, se aprovada, não deve atingir a brasileira. Em tese, a legislação não se aplica a crimes cometidos antes de sua aprovação, a não ser para beneficiar os réus. A Embaixada do Brasil em Manila não informa o nome do outro brasileiro preso por porte de entorpecentes.
FAXINA
Eleito sob a promessa de varrer do país as drogas - a mais disseminada é a metanfetamina, chamada no país de shabu -, Duterte havia anunciado em janeiro a dissolução do grupo especial de combate a drogas ilegais (AIDG, na sigla em inglês) e a intenção de "limpar a organização de membros corruptos".
A medida seguiu-se ao sequestro e morte, por policiais, de um empresário sul-coreano, Jee Ick-joo. Segundo o Departamento de Justiça, policiais o estrangularam e extorquiram a família por resgate fingindo que ele estava vivo. Além do caso de Jee, há várias acusações contra policiais por extorsão, plantação de provas, roubos e assassinatos.
IGREJA CATÓLICA REAGE
Durante a trégua oficial, cerca de 50 mil pessoas foram às ruas contra a guerra às drogas, em passeata organizada pela Igreja Católica. Organização religiosa majoritária no país (mais de 80% da população se declara católica), a Igreja vinha sendo apontada como omissa por grupos de direitos humanos e, de outro lado, atacada por Duterte como "hipócrita e corrupta".
A reação pública da Igreja ficou mais evidente na semana do Natal, com a organização de uma exposição de fotos gigantes de vítimas da guerra às drogas.
Fora dos holofotes, ordens religiosas também têm escondido alvos dos policiais.


