‘‘Você está preparando um golpe de Estado contra o meu governo?’’. Esta foi a pergunta feita ontem pela nova presidente das Filipinas, Gloria Macapagal-Arroyo, diante de vários jornalistas, em uma chamada telefônica a um militar acusado de golpista. Durante uma entrevista coletiva, os repórteres perguntavam incessantemente a Arroyo se o general Edgardo Espinosa, um dos comandantes da Marinha, estava conspirando contra o novo governo. ‘‘É um velho amigo meu’’, respondeu a presidente. ‘‘Vocês dizem que ele está preparando um golpe de Estado? Telefonarei agora mesmo para ele’’, disse.
Um assiste entregou à presidente um telefone celular e ela ligou imediatamente a Espinosa. Diante dos jornalistas e das câmaras de televisão, Arroyo perguntou ao general se ele estava preparando um golpe. ‘‘Disse que nunca pensou nisso’’, afirmou Arroyo.
Para muitos jornalistas o insólito episódio foi mais um exemplo das incertezas que deterioram a situação política nas Filipinas depois da demissão forçada do ex-presidente Joseph Estrada no sábado passado.
Ontem, o ministro da Defesa Orlando Mercado renunciou, abrindo a primeira crise no governo da nova presidente. Embora a saída de Mercado seja analisada como uma estratégia para que ele possa se candidatar a uma vaga no Senado nas próximas eleições, muitos analistas afirmam que ela deixa clara a profunda divisão política no país.
A entrevista coletiva concedida pela presidente, a primeira desde que assumiu, transcorreu em um clima muito tenso, sendo que as principais interrogações sobre o que acontecerá com o ex-presidente Estrada, impedido de continuar no governo devido a uma série de acusações, ficaram sem resposta. Arroyo limitou-se a afirmar que a questão, agora, se encontrava no âmbito da Justiça. A resposta não satisfez os jornalistas e menos ainda à população que deixou clara a intenção de ver Estrada severamente punido pelos seus supostos crimes.

mockup