Filipinas desistem de ampliar estada de tropa
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sábado, 10 de julho de 2004
Agência Folha 
São Paulo - O caminhoneiro filipino sequestrado no Iraque foi solto ontem após seus sequestradores divulgarem um vídeo em que ele implorava por sua vida, exortando Manila a retirar do país os 51 soldados que lá mantêm, e o governo de Gloria Macapagal Arroyo anunciar que não estenderá a permanência da tropa. ''Nosso contingente humanitário tem retorno marcado para 20 de agosto'', disse o porta-voz presidencial.
O anúncio da libertação de Angelo de la Cruz partiu do governo filipino. O prazo para os sequestradores cumprirem a ameaça expirava ontem. ''Ele será levado para um hotel em Bagdá e entregue ao nosso pessoal'', disse um membro do gabinete.
Dois caminhoneiros búlgaros e um egípcio seguem desaparecidos. Os captores de Ivailo Kepov e Georgi Lazov haviam ameaçado matá-los sexta-feira caso o governo da Bulgária não retirasse sua tropa, mas Sófia se negou a cumprir a demanda e disse ter ''informações não confirmadas'' de que os reféns estavam vivos. Já os captores do egípcio Mohammed al Gharabawi exigiram da firma saudita que o emprega um resgate de US$ 1 milhão. O dono da empresa disse não ter a quantia e apelou ao Cairo.
As primeiras imagens de De la Cruz em cativeiro haviam sido divulgadas na quarta pela TV Al Jazira, de Qatar a mesma que exibiu o vídeo ontem. Nelas, homens mascarados e armados ameaçavam matá-lo em 72 horas.
''Por favor, Arroyo, retire suas forças do Iraque'', pede ele no vídeo, vestindo um macacão laranja semelhante ao usado pelos prisioneiros na base americana de Guantánamo (Cuba). O traje é o mesmo usado por outros ocidentais sequestrados e mortos no Iraque, como o americano Nicholas Berg e o sul-coreano Kim Sun-il, ambos decapitados.
A retirada dos 51 soldados filipinas não deve ter efeito na Força Multinacional comandada pelos EUA no Iraque, que reúne 160 mil militares sendo 135 mil deles americanos. Mas os 4.100 civis filipinos no país são cruciais para a manutenção das bases americanas. A presidente Arroyo já proibira novas viagens de civis ao país.


