Filipinas atacam reduto do Abu Sayyaf
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de setembro de 2000
Associated Press e France Presse De Manila 
Milhares de soldados e policiais filipinos, apoiados por helicópteros armados e lanchas dotada de mísseis, atacaram anteontem na Ilha de Jolo (sul do país) o reduto da guerrilha muçulmana que sequestrou 19 estrangeiros, cumprindo ordens do presidente Joseph Estrada.
O grupo separatista Abu Sayyaf ameaçou matar os reféns em caso de ataque. As autoridades mantinham sigilo na tarde de ontem sobre eventuais vítimas, mas um oficial que pediu para não ser identificado disse que o americano Jeffrey Schilling foi morto pelos guerrilheiros ao tentar fugir. Os guerrilheiros teriam matado também 13 cristãos filipinos, quando a aviação filipina começou bombardear o reduto na madrugada. Dois jornalistas franceses teriam conseguido escapar. Segundo o secretário de Defesa Orlando Mercado, 17 rebeldes foram capturados.
Basta, desabafou o presidente Estrada diante das câmeras de uma rede de televisão filipina ao anunciar a decisão de usar a força para libertar os reféns e aniquilar o grupo guerrilheiro. Não podemos permitir que sequestradores ou outros delinquentes imponham sua lei ou controlem nossas vidas.
Horas antes do pronunciamento presidencial, a Marinha filipina havia ordenado a retirada de todas as embarcações do porto da região portuária da ilha. Ali foram desembarcados alguns milhares de soldados. Os hospitais de Zamboanga e Talipao foram postos em alerta. Os jornalistas, mantidos a distância, observaram as idas e vindas dos helicópteros no Aeroporto de Zamboanga para reabastecimento.
A artilharia começou a treinar na ilha antes da madrugada e a força aérea deu início aos bombardeios assim que amanheceu. Os militares bloquearam as rotas que os rebeldes poderiam usar para escapar e milhares de homens deixaram Jolo esta tarde em tanques, veículos blindados e com armamento pesado.
Estrada, que ontem tinha descartado publicamente a intenção de resgatar os reféns, disse que relutou muito em tomar esta delicada decisão, conhecendo os graves riscos envolvidos, mas acredita que a maioria da população apóia a solução militar. Segundo ele, depois de quase cinco meses de discussões, os guerrilheiros confundiram sua tolerância e paciência com debilidade.
Funcionários locais disseram que os combates aconteceriam em três distritos de Jolo, uma zona de 897 km2 de fazendas e selva, perto da Malásia. Fontes afirmaram que a operação foi planejada com muita antecipação, pois dois batalhões da infantaria (com cerca de mil homens) entraram em Jolo sem se fazer notar há duas semanas.
O principal negociador filipino, Roberto Aventajado, afirmou que havia telefonado ao líder do grupo Abu Sayyaf, Galib Andag, conhecido como Comandante Robô, sexta-feira à tarde, para combinar um encontro. Entretanto, Andag estava muito nervoso porque pressentia uma presença militar na área, afirmou Aventajado.
A decisão do governo filipino irritou a França, que teme pelos dois jornalistas franceses que continuam presos pelos rebeldes. Somente os Estados Unidos, o principal aliado das Filipinas, foi advertido antecipadamente. O presidente da França, Jacques Chirac, expressou sua preocupação e desacordo com a decisão de Estrada, destacando a responsabilidade dos filipinos pela segurança dos reféns.
Os dois franceses prisioneiros de Abu Sayyaf são jornalistas do canal de televisão France 2, Jean-Jacques Le Garrec e Roland Madura, capturados em julho enquanto cobriam a crise dos reféns.
O ministro da Defesa norte-americano, William Cohen, que partiu de Manila ontem depois de uma breve visita, disse que Estrada lhe falou sobre seus planos na sexta-feira à noite, entretanto, não deu detalhes depois que ele lhe pediu que continuasse as negociações.
Nós não temos nenhuma participação nisto e esperamos que agora que decidiram agir tenham êxito, disse Cohen.


