Filho de Suharto é acusado de atentado
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sexta-feira, 15 de setembro de 2000
Associated Press De Jacarta 
O presidente da Indonésia ordenou ontem a prisão do filho mais novo do ex-ditador Suharto, dois dias depois de uma devastadora explosão na Bolsa de Valores de Jacarta que muitos atribuíram a seguidores do antigo autocrata. Ordenei ao chefe da polícia de Jacarta para prender Tommy Suharto, disse o presidente Abdurrahman Wahid. Centenas de pessoas o aplaudiram.
A ordem de Wahid foi questionada pela polícia. Antes de prendermos alguém, precisamos de evidências suficientes, disse o porta-voz da Polícia Nacional, general-de-brigada Dadang Garniga. Tommy, ou Hutomo Mandala Putra, de 38 anos, é um dos homens mais ricos da Indonésia.
Quinze pessoas, a maioria motoristas, foram mortas e dezenas ficaram feridas na quarta-feira quando um carro-bomba explodiu na garagem subterrânea da Bolsa de Jacarta. Foi o último e um dos mais mortais de uma série de ataques à bomba na Indonésia nos últimos meses.
Wahid e vários ministros do governo têm acusado opositores a suas reformas democráticas de recorrerem à violência para desestabilizar sua administração de um ano. O advogado de Tommy, Juan Felix Tampubolon, recusou-se a comentar o assunto.
Wahid também ordenou a prisão de outro suspeito, Habib Alwi al Baaqil, um clérigo muçulmano e presidente da Frente de Defesa Islâmica, um grupo pró-Suharto.
O próprio Wahid admitiu que autoridades não têm plenas evidências contra Tommy ou Baaqil. Mas temos razões para prendê-los a fim de evitar outro atentado à bomba como o que ocorreu na Bolsa de Jacarta, disse ele.
Ele afirmou que a decisão de ordenar as prisões foi tomada numa reunião ministerial na quinta-feira. Wahid citou informações de inteligência que advertiam sobre novos atentados.
Segundo uma escuta telefônica, existem vários outros locais que serão bombardeados e eu disse às autoridades para tomarem ações determinadas e checagens de segurança para evitar que isso ocorra novamente, disse.
Wahid fez os comentários depois de visitar um hospital em Jacarta onde o embaixador das Filipinas Leonides Caday está se recuperando de outro atentado com carro-bomba em 1º de agosto na capital, no qual duas pessoas morreram.
Existem crescentes especulações de que partidários de Suharto e linhas-duras entre os militares são responsáveis pelos ataques ainda não solucionados. Três dos ataques coincidiram com desdobramentos importantes numa investigação de corrupção e processo judicial contra Suharto, que é acusado de ter se apropriado indevidamente de pelo menos US$ 583 milhões de fundos estatais.
Procuradores alegam que o dinheiro foi usado para financiar impérios econômicos controlados por seus filhos, entre eles Tommy.
Suharto, alegando problemas de saúde, não tem comparecido às audiências do processo de corrupção. Anteontem, seus advogados voltaram a alegar que ele estava doente demais para comparecer à corte. Mas um juiz ordenou que ele apareça na próxima audiência, marcada para o dia 28.


