Filho de brasileira condenado por integrar EI
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
Folhapress 
Madri - Brian de Mulder, 21, filho da brasileira Ozana Rodrigues, foi condenado pela Justiça belga ontem a cinco anos de prisão. Acredita-se que o jovem, ausente de seu próprio julgamento, integre hoje as fileiras do Estado Islâmico na Síria. Ele havia deixado sua casa, na Bélgica (onde nasceu), em janeiro de 2013. A mãe culpa a comunidade muçulmana local, em especial a organização radical islâmica Sharia4Belgium, pela radicalização de seu filho. Foram julgados também nesta quarta-feira diversos outros membros do grupo, incluindo o líder Fouad Belkacem. Eles receberam penas variadas. Belkacem deve ir à prisão por 12 anos.
À reportagem Rodrigues afirmou estar decepcionada com as sentenças. "Esse cara acabou com a vida de muita gente, 12 anos é pouco tempo de cadeia", disse sobre Belkacem.
Seu filho terá de, além da prisão, pagar uma multa de 2,5 mil euros (R$ 7.925) ao Estado belga. À reportagem, um dia antes da sentença, Rodrigues havia dito que preferia "chorar na porta da cadeia" do que ter o filho na Síria e que concordava que, se tivesse cometido crimes, ele teria que ser punido. "Ele tem de ser castigado. Todo o mundo paga pelo que faz", disse. "Não coloquei filho covarde no mundo. Se ele tiver matado alguém, sei que ele vai se confessar."
Mas não há informações sobre o paradeiro do garoto, que é conhecido no Estado Islâmico como "Abu Qassem Brazili" (Abu Qassem Brasileiro, em árabe). Ele é uma figura de destaque, entre os estrangeiros na organização.
Rodrigues deve contestar a decisão do tribunal belga. Ela disse que irá pedir compensação pelo estrago causado em sua vida pelo Estado, que não teria impedido a radicalização de seu filho. "A polícia sabia que esses terroristas estavam atrás do meu Brian desde 2010 e não fizeram nada", disse. "Eu perdi meu apartamento, minhas roupas, tenho de pagar a conta do hospital psiquiátrico onde fiquei internada. Sou mãe desse menino. Olha o que eu já sofri. Me transformei em morta-viva."


