Mojtaba Khamenei foi eleito líder supremo do Irã, para suceder ao seu pai, Ali Khamenei, morto em 28 de fevereiro, primeiro dia do ataque lançado por Estados Unidos e Israel contra o Irã, anunciou neste domingo a Assembleia de Especialistas do país islâmico.

"O aiatolá Mojtaba Khamenei é nomeado e apresentado como terceiro líder do sistema sagrado da República Islâmica do Irã, com base em um voto decisivo dos membros respeitados da Assembleia de Especialistas", diz um comunicado do órgão divulgado pela imprensa iraniana.

Mais cedo, neste domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou que o novo líder supremo do Irã "não vai durar muito" sem a sua aprovação, depois que autoridades iranianas anunciaram que a Assembleia de Especialistas já escolheu o sucessor de Ali Khamenei.

No nono dia de guerra, os clérigos responsáveis por eleger o líder do Irã chegaram a um consenso, mas não haviam revelado o nome de quem substituiria Khamenei, que estava no poder desde 1989.

Na última semana, vários nomes circularam para o cargo, reservado a um religioso. Mojtaba Khamenei, 56, é considerado uma das personalidades mais influentes do país. Israel anunciou que o novo líder será "um alvo".

O Irã continuava enfrentando intensos bombardeios em Teerã e em outras cidades, como Isfahan e Yazd, no centro do país. Uma espessa coluna de fumaça cobria a capital iraniana neste domingo.

Israel bombardeou quatro depósitos de combustível na região de Teerã, o primeiro ataque relatado contra instalações petrolíferas do país desde o início da guerra. O Exército israelense também afirmou que atacou o quartel-general da força espacial da Guarda Revolucionária.

Balanço

Segundo o balanço mais recente do Ministério da Saúde iraniano, mais de 1.200 pessoas morreram e mais de 10.000 civis ficaram feridos.

O povo iraniano, e não Donald Trump, deve escolher seu novo líder, disse hoje o ministro das Relações Exteriores do Irã, que exigiu um pedido de desculpas do presidente americano por iniciar a guerra no Oriente Médio.

"Não permitimos que ninguém interfira em nossos assuntos internos. É responsabilidade do povo iraniano escolher seu novo líder", disse Abbas Araghchi ao programa "Meet the Press", do canal NBC, depois que Trump declarou que deveria participar da escolha do próximo líder supremo do Irã.

Ali Mohammad Naini, porta-voz da Guarda Revolucionária, disse que as "Forças Armadas são capazes de prosseguir por pelo menos seis meses de guerra intensa no ritmo atual das operações".

O chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Ari Larijani, afirmou que os Estados Unidos se enganaram ao prever uma resistência de curta duração.

"Achavam que seria como na Venezuela: atacariam, tomariam o controle e acabaria", afirmou.

Deslocados no Líbano

No Líbano, arrastado para a guerra na última segunda-feira, depois que a milícia pró-Irã Hezbollah lançou um ataque contra Israel para "vingar" a morte de Khamenei, bombardeios israelenses voltaram a estremecer Beirute.

Pessoas em luto carregam os corpos das vítimas mortas no início da semana durante uma operação israelense na vila de Nabi Sheet, no leste do Vale do Bekaa, no Líbano
Pessoas em luto carregam os corpos das vítimas mortas no início da semana durante uma operação israelense na vila de Nabi Sheet, no leste do Vale do Bekaa, no Líbano | Foto: NIDAL SOLH / AFP

No coração da capital, forças israelenses bombardearam o hotel Ramada, uma operação que deixou quatro mortos e dez feridos, segundo o Ministério da Saúde libanês.

Israel anunciou um "ataque de precisão" contra comandos importantes da Força Quds, o braço de operações da Guarda Revolucionária iraniana no exterior.

O balanço atualizado de mortos no Líbano desde o início dos ataques, na segunda-feira, subiu para 394, incluindo 83 crianças e 42 mulheres, segundo o Ministério da Saúde. No total, 517 mil pessoas foram deslocadas.

Mortos na Arábia Saudita

O Exército israelense afirma que efetuou 3.400 ataques desde o início da guerra. Washington divulgou 3.000.

O regime iraniano responde com bombardeios com mísseis e drones contra Israel e os países do Oriente Médio que abrigam interesses americanos.

Na Arábia Saudita, segundo maior produtor mundial de petróleo, um projétil deixou 2 mortos e 12 feridos na província de Al-Jarj, vizinha à capital, Riade.

A Guarda Revolucionária, exército ideológico iraniano, anunciou o lançamento de mísseis contra as cidades israelenses de Tel Aviv e Beersheva, assim como contra uma base aérea na Jordânia.

Os tanques de combustível do aeroporto internacional do Kuwait foram atacados por drones, e uma planta de dessalinização no Bahrein foi danificada em um ataque.

(atualizada às 19h20)

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