Filha de Fritzl caçava ratos com as mãos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de março de 2009
Folhapress 
São Paulo- O julgamento de Joseph Fritzl, 73, nesta semana, tem sido motivo do comoção mundial. Durante 24 anos, o austríaco manteve a filha Elisabeth presa no porão de casa, sem janela, com o teto baixo, junto com ratos. Segundo a Promotoria, as condições de vida da família eram precárias e, em alguns momentos, a filha de Fritzl precisava caçar os ratos com as mãos para defender os filhos.
Ao longo dos anos, após inúmeros estupros, o austríaco teve sete filhos com Elisabeth. Três passaram a vida no porão, um morreu bebê e três foram criados pela avó, Rosemarie, e pelo pai-avô, que simulou o abandono das crianças na porta da casa da família.
De acordo com a promotora do caso, Christiane Burkheiser, o austríaco não se arrepende dos crimes e a vida cotidiana de Elizabeth poderia ser descrita na frase: Luz apagada, abusos sexuais, luz acesa e mofo.
Segundo a Promotoria, o cativeiro não possuía janela, sistema de ventilação e as paredes eram repletas de umidade. Devido à presença dos ratos, Elisabeth caçava os animais com as próprias mãos, segundo relatos escritos no seu diário íntimo. O vídeo, onde conta como era o cotidiano na prisão, foi assistido pelo júri ontem, no segundo dia do julgamento.
Elisabeth foi encarcerada aos 18 anos, em agosto de 1984, mas conta que os abusos começaram aos 11. Na época, o reduto tinha quase 20 metros quadrados, um lavabo, um banheiro e uma cozinha. Fritzl atraiu a filha até o local, a dopou e algemou. Elisabeth foi forçada a escrever à mãe -que, segundo a polícia, nada sabia sobre os horrores do subsolo-dizendo que tinha entrado para uma seita e pedindo que não a procurassem.
De acordo com a Promotoria, o austríaco estuprou a filha pela primeira vez no segundo dia de cativeiro. Ele só removeu as algemas de Elisabeth nove meses depois porque elas estavam dificultando o sexo.
Burkheiser afirmou que, nos primeiros nove anos de cativeiro, Elisabeth ficou grávida e deu à luz três filhos. Para o primeiro dos partos, em 1988, teve a ajuda de uma manta não esterilizada, tesouras sujas e um livro de preparação ao parto.
À medida que as crianças fruto do incesto foram nascendo, Fritzl construiu novos cômodos até chegar a quase 40 metros quadrados. O local passou a ter um chuveiro, dois dormitórios e uma sala de estar, todas interligadas e comunicadas por galerias de 60 cm de largura.
No verão, a temperatura sob o teto, de apenas 1,70 metro de altura, era insuportável. Fora do porão, três filhos-netos de Josef Fritzl, que todos acreditavam terem sido adotados, brincavam na piscina, enquanto os irmãos subterrâneos ardiam em um espaço fechado no qual a única distração era a televisão.
O réu se declara culpado de praticar incesto e manter seus filhos em cárcere privado e parcialmente culpado de estupro, mas nega responsabilidade na morte de um dos filhos recém-nascidos. O veredicto deve sair amanhã.


