São Paulo - A confirmação da morte de Cecilia Cubas, 32 anos, filha do ex-presidente paraguaio Raúl Cubas (1998-1999), que reconheceu o corpo de sua filha na noite de quarta-feira, gerou uma crise no governo com a demissão do chefe da Polícia Federal, Carlos Zelaya, e ameaça de demissão do ministro do Interior Nelson Mora.
Cecilia estava sequestrada havia 148 dias. Em novembro último, sua família chegou a pagar resgate por sua libertação, mas os sequestradores disseram que o valor pago representava apenas um ''multa'', não um valor de resgate. A partir daí, não houve mais contato com a família.
O corpo da filha do ex-presidente foi encontrado em um túnel sob uma casa na periferia da capital Assunção. Exames da arcada dentária do corpo feitos na madrugada de ontem confirmaram a morte de Cecilia.
Após o desfecho do sequestro da filha de Cubas, que foi presidente do Paraguai durante oito meses, entre agosto de 1998 e março de 1999, quando renunciou em meio a uma crise política, o chefe de Polícia Federal do Paraguai, Carlos Zelaya, pediu demissão ontem.
Em seguida, o ministro paraguaio do Interior, Nelson Mora, também disse que entregaria seu cargo caso isso lhe fosse solicitado pelo atual presidente do país, Nicanor Duarte Frutos.
Pouco mais de uma semana atrás, Mora havia feito declarações afirmando que as forças de segurança paraguaias estavam próximas de encontrar Cecilia, ainda com vida. ''Essa é a pior coisa que poderia ter acontecido'', disse Mora, após o resultado dos exames.
A filha do ex-presidente foi sequestrada em setembro, a duas quadras da casa em que vivia, por dois homens armados. Desde então, policiais faziam uma grande operação de busca na tentativa de encontrá-la.
Durante a investigação, a polícia paraguaia prendeu vários suspeitos de terem realizado o sequestro, incluindo o líder do partido de oposição Pátria Livre, Osmar Martinez, suspeito de manter ligações com a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Na segunda-feira, o procurador-geral do Estado Oscar Latorre afirmou que o governo paraguaio tinha evidências de que Martinez mantém contatos com representantes das Farc. Apesar disso, o governo paraguaio não confirmou se a guerrilha colombiana está envolvida no sequestro.
Cubas e sua mulher acompanharam a polícia até o local onde o corpo foi encontrado. O ex-presidente saiu visivelmente abatido depois de reconhecer o corpo de sua filha. O presidente Nicanor Duarte acompanhou o casal.
Moradores de casas na capital Assunção, sensibilizados com o sequestro, penduraram na fachada de suas casas faixas com os dizeres ''Libertem Cecilia'', durante as investigações. O sequestro de Cecilia, o mais longo da história do Paraguai, comoveu o país, que sofre com o aumento desse tipo de crime nos últimos meses.

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