Filha cobra despedida; irmão briga pela vida
A romaria de familiares ao Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim começou cedo. Alguns afirmavam, sem convicção, ter esperança de reencontrar os desaparecidos. Eles foram recebidos no salão nobre, na sala de administração da Infraero, no gabinete da crise.
A professora aposentada Vasthi Ester Van Sluijs, 70, lembrava da última ligação que havia trocado com a filha, a jornalista Adriana Francisco, 40, antes de embarcar para Paris, onde faria conexão para Seul (Coreia do Sul). Segundo ela, a filha é assessora de imprensa da presidência da Petrobras.
Ela me ligou e falou: Mamãe, você não vem se despedir de mim, não? Eu desejei a ela boa viagem, e que Deus a protegesse. Ela viajaria na semana passada, mas a viagem acabou cancelada. Se eu tivesse dinheiro, teria ido com ela, porque ela tem medo de avião, disse a mãe da passageira.
Familiares de pessoas que embarcaram no voo AF 443, por volta das 16h, foram levados para a sala onde estavam os familiares dos passageiros do voo AF 447.
Um deles era o funcionário público Bernardo Ciriaco, irmão do coreógrafo Gustavo Ciriaco. Segundo ele, o irmão chegou a ter o nome deslocado para o voo AF 447. Mas como havia comprado passagem para o voo das 16h, brigou muito para embarcar. Por três pessoas (meu irmão) não teria ido nesse voo das 16h. Ele teve que brigar muito para embarcar nesse voo. Foi a briga da vida dele.
Responsável pelo primeiro transplante de pele realizado no Rio Grande do Sul, o cirurgião plástico e professor universitário Roberto Corrêa Chem, 66, embarcou com a família no voo 447 para viagem a passeio na Grécia e Turquia. Com ele, foram a mulher, a psicóloga Vera Chem, 63, e a filha, a executiva Letícia Chem, 36, gerente de roaming internacional da Oi. De acordo com o cirurgião plástico Eduardo Chem, 38, filho do casal, os pais partiram de Porto Alegre ao Rio de Janeiro no início da tarde de anteontem.





