Fidel volta a pedir a Obama fim do embargo
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segunda-feira, 20 de abril de 2009
Folhapress 
São Paulo- Em sua primeira manifestação após a 5 Cúpula das Américas -da qual Cuba não participou mas foi tema central- o ex-líder cubano Fidel Castro fez críticas ao presidente americano, Barack Obama, e exigiu que os Estados Unidos encerrem o embargo econômico que impõem à ilha desde 1962.
''Obama foi áspero e evasivo quanto ao bloqueio em sua entrevista à imprensa'', afirmou Fidel em um artigo de suas ''Reflexões'' publicado no site estatal Cubadebate, ao qual deu o nome de ''A cúpula secreta''.
''Desejo recordar (Obama) um princípio ético elementar relacionado à Cuba: qualquer injustiça, qualquer crime, em qualquer época, não tem desculpa para continuar; o cruel bloqueio contra o povo cubano custa vidas, custa sofrimentos'', diz o artigo.
Fidel disse ainda que tem mais experiência que Obama, pois vai fazer 83 anos poucos dias após Obama completar 48. ''Terei quase o dobro de sua idade'', afirmou.
Na segunda-feira passada, Obama anunciou o fim das restrições de viagens e de remessas de dinheiro à Cuba. Segundo o governo americano, o gesto visa ''uma aproximação com a população cubana em apoio ao desejo dela de determinar livremente o futuro de seu país''.
Fidel, mais que isso, quer o fim do embargo econômico, mas o governo Obama vem dando sinais de que a abertura total pode não ser tão rápida e simples. O conselheiro econômico do presidente, Lawrence Summers, disse no domingo que a suspensão do embargo a Cuba não será rápida.
''Isto não é para amanhã, e isto dependerá do que fará Cuba, do que Cuba vai fazer daqui por diante'', afirmou o conselheiro, em entrevista ao canal NBC em Port of Spain, onde acompanha Obama na cúpula.
Os Estados Unidos indicam ainda que é a vez de Cuba responder aos esforços americanos, soltando presos políticos, por exemplo.
Sem a presença de enviados de Cuba e com a discussão sobre a crise econômica em segundo plano, a Cúpula das Américas terminou ontem sem acordo entre os participantes. O documento final do encontro, por exemplo, só recebeu uma única assinatura: do anfitrião, o primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, Patrick Manning.
A declaração final da cúpula foi negociada pela diplomacia dos 34 países do continente que participaram do evento por mais de oito meses. Mesmo assim, não houve tempo hábil para que se chegasse a um consenso.


