São Paulo- Contrário aos temores levantados ontem por uma reportagem do jornal espanhol ''El País'', que afirmou que a saúde do líder cubano Fidel Castro está em estado ''muito grave'', um médico que o examinou no último mês insistiu que ele está se recuperando. A afirmação do médico Jose Luis Garcia Sabrido foi divulgada ontem pela rede de TV americana CNN.
A reportagem do ''El País'' cita duas fontes de um hospital madrilenho que supostamente afirmaram que Fidel sofre complicações após três cirurgias fracassadas. Mas Sabrido, chefe de cirurgia do hospital público Gregorio Maranon, em Madri, negou as afirmações. Ele viajou a Havana em dezembro e examinou o líder cubano por cerca de 90 minutos.
Em entrevista ao repórter da CNN Al Goodman ontem, Sabrido disse que não foi ele a fonte da reportagem do ''El País''. ''Qualquer afirmação que não venha diretamente da equipe médica de Fidel não tem fundamento'', completou o médico.
Sabrido se recusou a comentar à CNN a reportagem do jornal espanhol, mas manteve o comunicado que fez no último dia 26 de dezembro no qual afirmou que Fidel está se recuperando e não tem câncer. À época, ele disse a repórteres que Fidel estava tendo uma resposta ''fantasticamente boa'' ao tratamento.
A viagem do médico espanhol até Cuba foi supervisionada pelo governo de Cuba, segundo o jornal espanhol ''El Periodico de Catanunya''. O jornal afirmou que Sabrido viajou em um avião do governo e que a Embaixada de Cuba controlou todos os detalhes da visita.
O ''El Pais'' informou que Fidel sofre de diverticulite (inflamação de uma estrutura do intestino que pode causar ruptura e sangramento). A reportagem afirma que a inflamação se espalhou para tecidos nas paredes do abdome, uma condição chamada peritonite. O jornal afirma que essa infecção impediu o processo de cura de Fidel.
O governo cubano divulgou poucas informações sobre a condição de Fidel desde que ele se afastou temporariamente do poder em julho, deixando seu irmão, o ministro da Defesa Raúl Castro, em seu lugar enquanto se recuperava de uma cirurgia intestinal de emergência.
O governo americano também especulou que Fidel poderia sofrer de um câncer. Segundo o ''El País'', Fidel não se recuperou bem de uma primeira cirurgia, na qual foi extraída parte de seu intestino, e desenvolveu peritonite.
Uma segunda cirurgia foi realizada para drenar a área infectada, e também não teve sucesso.
As últimas imagens de Fidel Castro foram divulgadas no dia 28 de outubro de 2006, em um breve vídeo transmitido pela emissora cubana, no qual ele aparece magro. No dia 30 de dezembro, Fidel Castro enviou uma mensagem de felicitação aos cubanos pela comemoração do 48º Aniversário da Revolução em Cuba.

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