Dez dias antes da visita do Papa João Paulo II, Fidel Castro pediu ontem aos cubanos, em Havana, que o apóiem com uma votação em massa nas eleições legislativas deste domingo no país, que não deixam nenhuma margem para surpresa.
‘‘Sim, o sistema eleitoral cubano é o mais democrático que existe hoje em qualquer lugar do mundo’’, afirmou o comandante-em-chefe. A ausência de suspense o transforma num dos menos apaixonantes.
As autoridades concentram todos os esforços para convencer os cubanos a comparecerem às urnas e escolherem amanhã os deputados da Assembléia Nacional do Poder Popular (ANPP, Parlamento) e os delegados das assembléias provinciais.
O que caracteriza as eleições cubanas é o alto índice de participação, incentivado pelo trabalho porta a porta de grupos de crianças que estão sempre lembrando às famílias e aos vizinhos os deveres eleitorais. Devem participar 7,8 milhões de eleitores.
As instruções - repetidas até a saciedade - são votar em bloco para a única chapa existente em cada circunscrição, mas os eleitores têm a possibilidade de descartar algum candidato.
Os 601 deputados, uma vez eleitos para um mandato de cinco anos, reúnem-se para duas sessões anuais que, em geral duram um dia.
A primeira metade dos candidatos foi escolhida pela Comissão Nacional de Candidaturas e a outra metade pelos vereadores. Estes últimos foram eleitos por sua vez por sufrágio universal depois de terem sido designados candidatos mediante votação com mão erguida.
Os demais, entre eles Fidel Castro, candidato pela segunda vez pela província de Santiago de Cuba (900 km a leste de Havana), são personalidades representantes das ‘‘organizações de massa’’: sindicatos, Federações de Mulheres, Comitês de Defesa da Revolução, etc.
As chapas pretendem refletir fielmente os sentimentos da população: jovens, mulheres e negros têm um lugar privilegiado, o mesmo acontecendo com os pastores protestantes. Os curas ou os militantes católicos, no entanto, ficam de fora, neste ano de aproximação entre a Igreja e o poder.
Em nome da recusa à demagogia e às promessas eleitorais não cumpridas, a palavra ‘‘programa’’ não aparece no vocabulário desta curiosa campanha eleitoral, que invade a imprensa escrita e os meios audiovisuais.
‘‘O que importa é que cada um se sinta livre e atue com consciência’’, insistiu o ‘‘líder máximo’’: ‘‘Os que não querem votar em alguém estão em seu pleno direito. O cidadão deve se sentir realmente livre, com direito de votar em todos, em alguns, em um ou em nenhum’’, disse Fidel, em um discurso de Castro transmitido simultaneamente e na íntegra pelas duas redes locais de televisão.
O texto foi publicado depois pelo jornal Granma do Partido Comunista e pelas revistas Juventude Rebelde (órgão das Juventudes Comunistas) e Trabalhadores (revista dos sindicatos).

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