Fidel nomeia novo ministro do Exterior
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sexta-feira, 28 de maio de 1999
Associated Press e Deutsche Presse 
O presidente cubano, Fidel Castro, destituiu ontem Roberto Robaina da chefia do Ministério das Relações Exteriores. Em substituição a ele, que ocupava o cargo desde 1993, Fidel nomeou, ontem mesmo, seu secretário particular, Felipe Pérez Roque novo chanceler. Aos 34 anos, Pérez Roque torna-se o primeiro membro do gabinete de Fidel nascido depois do triunfo da Revolução Cubana, em 1959.
Robaina, chamado carinhosamente de Robertico por Fidel, era considerado o rosto amável do regime cubano. Aos 43 anos, despontava como um dos prováveis integrantes do círculo de poder que ascenderia ao controle do país após a morte de Fidel.
France PresseSurpresaRoberto Robaina era considerado o rosto amável do regimeA demissão deixou atônitos os analistas políticos, tanto de governos estrangeiros como de grupos anticastristas radicados nos EUA. Ninguém se arriscava hoje a interpretar que sinais o regime cubano estava enviando ao mundo com a destituição de um de seus membros mais conhecidos.
Não acreditamos que a demissão de Robaina e sua substituição pelo chefe do staff pessoal de Fidel, Pérez Roque, possa ter algum reflexo que justifique a mudança da política americana para Cuba, disse o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, James Rubin. Isso parece ser apenas uma mudança normal de ministros.
Parece claro que há algo de errado acontecendo no interior do regime, e essa mudança significa um endurecimento da política de Fidel, afirmou Ninoska Pérez, porta-voz da anticastrista Fundação Nacional Cubano-Americana (FNCA). É triste que Robaina seja simplesmente apagado da história, como parece que será, sem nunca ter levantado a voz contra os crimes de Fidel.
Para alguns diplomatas, Robaina foi demitido por ter-se oposto a algumas medidas mais duras do regime - particularmente ao julgamento e condenação à prisão de quatro dissidentes, no começo do ano. O chanceler teria sido ainda responsabilizado por Fidel pela votação da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas que, neste ano, condenou a situação das garantias individuais na ilha. Na visão de alguns colaboradores mais próximos de Fidel, Robaina falhou ao não agir eficientemente para reduzir o protesto internacional contra a repressão aos dissidentes.
Mas esses mesmos analistas não descartam a possibilidade de Robaina ter sido liberado da chancelaria para assumir um cargo ainda mais importante na hierarquia interna, como forma de consolidar o apoio da chamada juventude comunista ao governo. Apesar de ter deixado o ministério, Robaina mantém-se como membro das principais instâncias políticas de Cuba, como o bureau político do Partido Comunista.
O novo chanceler cubano, considerado o mais jovem representante da linha dura da ilha, assume a responsabilidade de organizar a 9ª Reunião de Cúpula Ibero-Americana, que se dará em Havana, de 13 a 16 de novembro.
Roberto Robaina estava no cargo de chanceler desde 1993. O órgão do Partido Comunista Cubano, Granma, afirma na sua edição de ontem que a mudança deveu-se à complexidade da tensa situação internacional, sua importância crescente para o futuro de nosso país e a necessidade de um trabalho mais profundo, rigoroso, sistemático e exigente nessa esfera.
O Granma destacou a trajetória política de Pérez Roque desde sua eleição como deputado do parlamento cubano em 1986, com apenas 21 anos. Nos últimos sete anos, o novo chanceler acompanhou Fidel nas visitas oficiais que o presidente de Cuba realizou a diversos países. O jornal oficial afirma que Pérez Roque está familiarizado como poucos com as idéias de Fidel.


