O presidente Fidel Castro, no poder em Cuba há quase 40 anos, entrou em cheio segunda-feira à noite na campanha eleitoral ao convocar a população a votar, a 11 de janeiro, por todos os candidatos ao Parlamento e às assembléias provinciais. Castro, vestido com sua tradicional farda de campanha, se manifestou a favor do ‘‘voto unido’’ e maciço como um apelo à consciência e não à disciplina. Seu longo discurso de mais de três horas foi transmitido simultaneamente à meia-noite pelos dois canais da televisão estatal.
O comandante-chefe é candidato a deputado na província de Santiago de Cuba (leste), assim como Raúl Castro, seu irmão mais velho e sucessor designado.
O ‘‘voto unido’’ é a aprovação popular nas urnas de absolutamente todos os candidatos, sem nenhuma exceção, dado que o número de candidatos é igual ao de cargos para o Parlamento e as assembléias provinciais.
Já em 1993 se experimentou com êxito o ‘‘voto unido’’, quando 95,06% dos eleitores votaram em ‘‘bloco’’ e só 4% o fizeram de forma seletiva.
‘‘Nosso sistema eleitoral é o mais democrático que existe hoje em qualquer lugar do mundo’’, disse Castro em seu discurso.
Uma das tarefas principais com vistas às eleições, que se realização dez dias antes da chegada a Cuba do papa João Paulo II, é conseguir, disse Castro, que a maior quantidade de eleitores faça sua a estratégia do voto unido, como um ato de convicção, de determinação consciente de cada um.
Nas cédulas aparecerão os nomes dos candidatos correspondentes a cada município, entre os quais haverá personagens conhecidos, como o próprio Castro ou o cantor Silvio Rodríguez, e outros totalmente desconhecidos da maioria da população.
Por isso é que, segundo Castro, o ‘‘voto unido’’ é uma estratégia para que, por exemplo, um jovem estudante, com uma pequena biografia, chegue ao Parlamento.
‘‘É preciso demonstrar que se equivocam quando pensam que o socialismo desaba em Cuba, e transmitir clara a idéia de que os revolucionários não são de açúcar, mas de aço’’, disse Fidel.

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