Fidel indica irmão como seu sucessor
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sexta-feira, 29 de junho de 2001
ANSADe Nova York 
O presidente de Cuba, Fidel Castro, falou sobre sua sucessão a uma rede de televisão norte-americana menos de uma semana depois de ter tido uma indisposição durante um discurso em Havana. Meu irmão Raúl tomará meu posto, disse Fidel em uma entrevista a Andrea Mitchell, a enviada especial da NBC, que também é casada com o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Alan Greenspan.
É a primeira vez que Fidel, no poder em Cuba desde 1959, fala publicamente a respeito de sua sucessão.
Na entrevista, que durou três horas, Fidel não perdeu a oportunidade de atirar farpas em direção ao presidente norte-americano, George W. Bush, considerado um aliado político dos exilados anticastristas que vivem nos Estados Unidos, notadamente em Miami. Ele não foi eleito. Foi nomeado presidente dos Estados Unidos, disse o líder cubano referindo-se à controvertida eleição da Flórida, que acabou sendo referendada pela Corte Suprema daquele país.
Raul Castro, o comandante das Forças Armadas cubanas, tem 70 anos, cinco a menos que seu irmão mais velho, que cumprirá 75 em agosto. O líder cubano porém não deu nenhum sinal sobre a época em que poderá passar o cargo ao irmão, havendo quem considere que isto só ocorrerá depois de sua morte.
Raúl goza de plena saúde. É o companheiro que, depois de mim, tem mais autoridade e experiência. Creio que está perfeitamente em condições de ocupar meu posto, afirmou Fidel durante a entrevista.
A sucessão de Fidel, inevitável num futuro não muito distante dada à idade do líder máximo, voltou à tona depois do incidente de sábado passado, quando ele passou mal sob o sol forte de Havana.
Acho que foi o calor. Estava molhado de suor e não me lembro mais o que aconteceu. Não me dei conta de que me levaram para fora do palanque, disse à jornalista norte-americana.
ReapariçãoO presidente cubano Fidel Castro, que no sábado passado sofreu um mal-estar devido à fadiga durante um discurso, reapareceu ontem em público, em Havana, em um ato dedicado a exigir a liberdade de cinco cubanos declarados culpados de espionagem por um júri federal do Sul da Flórida.
Usando seu tradicional uniforme, Fidel ocupou uma cadeira na primeira fila da denominada Tribuna Antiimperialista José Martí, localizada a poucos metros da Seção de Interesses dos Estados Unidos en Cuba.


