Fidel ataca Bush diante de 200 mil
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segunda-feira, 21 de junho de 2004
Agência Folha 
Cuba - O ditador cubano Fidel Castro disse ontem que as novas restrições de viagem impostas pelos Estados Unidos às famílias cubanas são ''impiedosas e desumanas''. Diante de um imenso cartaz que mostrava o presidente dos EUA, George W. Bush, caracterizado como Hiltler, Castro discursou para cerca de 200 mil pessoas em frente à missão diplomática norte-americana em Havana.
Sob o cartaz, aparecia o seguinte texto: ''Bush fascista, não há agressão que Cuba não resista''. Gritos de ''Viva Cuba livre'' e ''Bush fascista'' foram ouvidos durante o discurso, de 35 minutos de duração. ''Nosso povo vai resistir às suas medidas econômicas, quaisquer que sejam. Quarenta e cinco anos de batalha heróica contra o embargo não enfraqueceram a revolução, mas sim a fortaleceram'', disse Fidel.
As novas restrições impostas pelos EUA têm o objetivo de conter a entrada de dólares em Cuba, prejudicando ainda mais sua economia, em uma tentativa de levar o regime de Fidel ao fim. A partir de 30 de junho, os cubanos que moram nos EUA só vão poder ir à ilha uma vez a cada três anos, em vez de uma vez por ano.
Empresas aéreas afirmaram que pelo menos 2.000 norte-americanos de origem cubana precisam voltar às pressas para Cuba ou então pagar multas de até US$ 50 mil. Eles imaginaram que as regras não se aplicariam ao que morassem em Cuba antes de 30 de junho.
As novas regras também proíbem a maioria das viagens de norte-americanos para Cuba, ao contrário da política do governo de Bill Clinton, que permitiu a dezenas de milhares de profissionais e estudantes visitar a ilha. O governo cubano declarou que 117 mil norte-americanos de origem cubana e outros 60 mil moradores dos EUA viajaram à ilha em 2003.
Fidel disse que as medidas de Bush visam à eleição presidencial deste ano, repetindo as análises de que o presidente dos EUA está interessado em conquistar votos na comunidade conservadora cubana na Flórida, um Estado vital para suas pretensões de reeleição.
''Eu não estou de acordo com o fato de a Casa Branca impedir minha filha que vive em Miami vir de férias a Cuba'', disse uma cubana. Estimadas em mais de 1 bilhão de dólares anuais, as remessas de dinheiro dos EUA são a base para a economia doméstica de muitos cubanos na ilha.


