Fidel aceita atuar pela paz na Colômbia
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de janeiro de 1999
Reuters e France Presse 
O presidente cubano Fidel Castro anunciou na madrugada de ontem que aceita colaborar com o processo de paz na Colômbia, mas com uma atuação discreta e sem assumir papel de protagonista nas negociações. Fidel e o presidente da Colômbia, Andrés Pastrana, reuniram-se na noite de anteontem, horas depois da chegada do colombiano a Havana para uma visita oficial de quatro dias. Por mais de duas horas, os dois presidentes discutiram temas como o processo de paz e a crise monetária no Brasil e firmaram acordos de cooperação bilateral entre os dois países para combater o narcotráfico e sobre as áreas de educação, cultura e saúde.
O pedido colombiano para que Fidel interviesse nas negociações de paz com a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) - que começaram oficialmente no dia 7 numa área dominada pelos rebeldes no Sul do país - foi feito pela primeira vez em novembro de 1997, durante a Cúpula Ibero-Americana da Ilha Margarita. Em junho, na visita que fez a Cuba, o antecessor de Pastrana, Ernesto Samper, afirmou que Fidel se tinha mostrado disposto a contribuir para a pacificação da Colômbia, mas o líder cubano manteve o silêncio sobre o tema.
Entre os sete convênios firmados entre Pastrana e Fidel, o mais importante prevê o intercâmbio de informações sobre o combate ao narcotráfico entre as autoridades dos dois países. Há uma semana, Fidel queixou-se de que a polícia colombiana demorou a informar sobre a apreensão de 7 toneladas de cocaína que seguiriam para Cuba. A demora, segundo Fidel, permitiu a fuga de dois espanhóis que mantinham uma empresa de fachada na ilha e seriam os destinatários do carregamento.
Em Bogotá, num sinal de que o processo de paz colombiano pode abranger também os pára-militares direitistas, o líder máximo dessas milícias, Carlos Casta¤o, propôs a instalação, em fevereiro, de uma assembléia nacional pela paz, com a participação de autoridades estrangeiras.
Bombas Enquanto o presidente Pastrana tenta reforço contra a guerrilha, soldados colombianos encontraram e desativaram várias bombas espalhadas pelos guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional (ELN, guevarista) junto a um oleoduto que cruza um povoado do Noroeste do país. A informação foi prestada ontem pelo chefe da 14ª Brigada Militar, coronel Francisco Díaz, em Bogotá. Se esta carga explodisse, teríamos uma tragédia semelhante à registrada no dia 18 de outubro passado (quando morreram 74 moradores do povoado de Machuca, na explosão de um oleoduto dinamitado pelos rebeldes), disse o comandante.
Díaz precisou que o campo minado foi descoberto num povoado perto de uma localidade do município de Remédios, próximo a Segóvia, onde está localizado Machuca e por onde cruza o oleoduto central da Colômbia. Várias casas humildes estão localizada perto da tubulação em Remédios, segundo Díaz.
O ELN empreendeu desde a década passada uma campanha de explosões com dinamite contra a infra-estrutura petroleira colombiana, com o argumento de que a oligarquia local e as multinacionais fazem o grande negócio enquanto o povo morre de fome.


