Fica mais difícil a situação de Mobutu
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quarta-feira, 23 de abril de 1997
France Presse, 
Lubumbashi
France PresseVítimasOs refugiados são as maiores vítimas da luta que se trava no ZaireOs rebeldes zairenses continuavam avançando ontem rumo à ofensiva final contra Kinshasa, enquanto um encontro entre o presidente Mobutu Sese Seko e o líder dos rebeldes, Laurent Desire Kabila, continuava sendo incerto.
Ao que parece, existem sérias divergências entre os rebeldes e Ruanda, um de seus principais aliados na região, e entre as diferentes etnias das tropas rebeldes.
A rádio rebelde, A Voz do Povo, anunciou ontem a conquista de duas novas cidades, Ilebo e Tshikapa, situadas a leste da capital, na província de Kasai ocidental. Esta informação não foi confirmada, mas as vitórias rebeldes anunciadas por essa rádio sempre aconteceram.
Os rebeldes também indicaram que avançavam por Bandudu, a nordeste de Kinshasa e na região de Matadi, sudoeste da capital zairense.
Estes novos deslocamentos acontecem em meio a uma total confusão sobre uma eventual entrevista entre o presidente Mobutu Sese Seko e o chefe rebelde Laurent Desire Kabila.
O filho do marechal Mobutu, Nzanga Mobutu, reafirmou que seu pai não irá à África do Sul para encontrar-se com Kabila. Segundo ele, o chefe rebelde teria proposto Lubumbashi como local de encontro. Lubumbashi é a segunda cidade do país, capital da rica região mineira de Shaba (antiga Katanga), conquistada dia 10 de abril pelas tropas rebeldes.
O lugar não nos parece neutro, declarou Nzanga; ele recordou que seu pai preferia Brazzaville, a capital do vizinho Congo, proposta pelo presidente do Congo, Pascal Lissouba.
O chefe rebelde sempre mostrou disposição para conversar com o marechal Mobutu, mas unicamente para negociar sua saída do poder, afirmando que a guerra deve continuar até a libertação de Kinshasa.
A repatriação para Ruanda de cerca de 80.000 refugiados hutus ruandeses bloqueados perto de Kisangani (500 km a oeste do baluarte rebelde de Goma), parece ter-se transformada no pomo da discórdia entre a Aliança rebelde e seus aliados de Kigali.
Mas esta não é a única preocupação dos rebeldes. Até agora dominado pelos tutsis, o exército de libertação rebelde passou a ser, depois dos recrutamentos maciços, de maioria não tutsi. Um dirigente rebelde admitiu à AFP que havia mal-entendidos entre a tropa. É cedo para saber se isto pode criar problemas militares ou políticos.


