FHC diz que Argentina ''se protege''
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sábado, 29 de maio de 1999
Tânia Monteiro Especial para a AE 
O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que não há necessidade de os países da América Latina se unirem para proteger a Argentina do ataque especulativo porque ela mesma se protege. A Argentina tem uma economia forte, tem boa condução econômica e o sistema político está funcionando bem, disse ele, antes de participar de reuniões, a portas fechadas, com nove outros presidentes que estão na cidade do México, para a 13ª Cúpula do Grupo do Rio.
Fernando Henrique disse que, na conversa que manteve, por telefone, com o presidente argentino Carlos Menem, antes de viajar, ele lhe garantiu que não vai desvalorizar a moeda. Reiterou ainda que não há uma preocupação obsessiva em relação à Argentina. Essa preocupação obsessiva faz parte dos interesses contrários à estabilidade, o que não é verdadeiro, acentuou.
Embora um dos temas principais do encontro do Grupo do Rio seja justamente a reformulação do sistema financeiro internacional, Fernando Henrique entende que não seria necessário discutir a situação específica da Argentina na reunião. Para ele, o assunto será debatido a fundo, no final de junho, quando o presidente francês, Jacques Chirac, abrirá encontro no Rio em que estarão presentes 48 países, falando sobre tema. Segundo o presidente, esta disposição de discutir o sistema financeiro internacional demonstra que ele não está mais pregando no deserto, como acontecia, no início de seu mandato, quando mandava cartas aos presidentes dos países ricos, pedindo garantias para proteger as economias do capital especulativo.
Agora, todos estão dizendo mais ou menos a mesma coisa, observou o presidente. É preciso encontrar mecanismos de resposta pronta a eventuais aflições financeiras e que é preciso haver maior transparência nas contas de cada país e nas contas internacionais, prosseguiu Fernando Henrique, ao comentar a conversa mantida com Chirac, no último final de semana. Isso começa a formar uma opinião internacional, disse ele, acrescentando que a flutuação dos capitais devem ser mantidas, mas os países têm necessidade também de terem mecanismos de proteção em certas circunstâncias, e usá-los.
Fernando Henrique salientou ainda que na reunião de junho, no Rio de Janeiro, o objetivo é se dar mais um passo em direção a criação de uma zona de livre comércio da América Latina com a União Européia. Ele lembrou que já conversou sobre o tema com os primeiros ministros da Alemanha e da Inglaterra e acrescentou que a questão fundamental para a região é que houvesse um início de discussão dos temas agrícolas.
Essa proposta de zona de livre comércio, assegurou, não tem por objetivo dificultar a criação da ALCA. A ALCA, salientou, é para 2005 e o propósito comum é ampliar os fluxos de comércio para o mundo todo. De modo que, tanto a ALCA, quanto a relação União Européia-América Latina estão no contexto de uma liberalização do comércio que nos interessa, concluiu.
Comércio A ligeira recuperação prevista para as economias brasileira e argentina a partir do próximo semestre não deve evitar a queda da corrente de comércio (exportações mais importações) entre os dois principais parceiros no Mercosul. Estimativas preliminares feitas por especialistas da área de comércio exterior mostram que as transações comerciais entre o Brasil e a Argentina este ano devem cair cerca de 20%, passando de US$ 14,78 bilhões, em 1998, para menos de US$ 12 bilhões este ano. A Secretaria de Comércio Exterior, no entanto, estima uma queda de 25%.
O vice-presidente executivo da Associação de Empresas Brasileiras no Mercosul (Adebim), Michel Alaby, acredita que o comércio bilateral já está sendo afetado pelo processo recessivo nos dois países. No primeiro quadrimestre deste ano, por exemplo as importações brasileiras da Argentina caíram 32,3%, em comparação com o mesmo perído do ano passado.


