O presidente Fernando Henrique Cardoso chegou a sugerir ao ex-presidente do Paraguai, Raúl Cubas, que uma das opções para a manutenção da democracia em seu país seria a renúncia. A conversa entre os dois aconteceu algumas horas antes de Cubas deixar o governo, na noite de domingo.
Ontem, em nota oficial, o governo brasileiro fez um apelo para que todos os grupos políticos e as Forças Armadas paraguaias mantenham respeito às leis e a confiança na Justiça. Segundo avaliação de fontes do Itamaraty, a crise no Paraguai está caminhando para a normalidade, mas não está totalmente resolvida.
Durante a crise, e principalmente nos dois dias anteriores à renúncia de Cubas, o Brasil manteve uma posição neutra. O embaixador brasileiro Bernardo Pericás chegou a ser procurado por vários setores políticos do Paraguai, mas preferiu discutir a questão com seus colegas diplomatas dos países integrantes do Mercosul, além da Espanha e Estados Unidos.
O presidente brasileiro, entretanto, segundo fontes do Itamaraty, colocou para Cubas que a renúncia ajudaria a normalizar a democracia no país. ‘‘Mas, em nenhum momento o Brasil tomou partido de qualquer um dos lados’’, ressaltou um diplomata brasileiro que acompanhou a crise no Paraguai. ‘‘Era preciso tomar atitudes que evitassem o derramamento de sangue’’, acrescentou a fonte. Durante a semana passada, Cubas e Fernando Henrique Cardoso já haviam tido outras conversas sobre o problema.
Na nota oficial comentando a renúncia de Cubas, o governo brasileiro, pede que os paraguaios encontrem o caminho da normalidade. ‘‘Neste momento em que o país está de luto pela morte do vice-presidente Luiz Maria Arga¤a e dos jovens que caíram em resultado da violência que se desencadeou nos últimos dias, ressaltamos a importância de que a nação irmã do Paraguai encontre rapidamente o caminho da paz, da reconciliação e da tranquilidade, dentro do respeito à Constituição e às leis, e com a manutenção plena da inconstitucionalidade’’, diz a nota. No comunicado, o Brasil oferece apoio ao novo presidente do Paraguai, Luiz González Macchi.

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