FHC ataca ''neonazismo'' em Kosovo e critica a Otan
O presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso chamou a limpeza étnica praticada pelos sérvios na província de Kosovo, na Iugoslávia, de prática neonazista, referindo-se à repressão sérvia aos albaneses étnicos kosovares. Achamos que há boas razões para que a Otan, a Europa e que nós todos estejamos preocupados com essa prática de neonazismo. Essa questão de limpeza racial é inaceitável, disse o presidente no aeroporto militar Figo Maduro, em Lisboa, onde o avião presidencial parou para reabastecer a caminho da Alemanha - onde chegou à noite.
O presidente disse que concorda com os motivos apresentados para a intervenção da Otan: Defendemos as razões da intervenção da Otan. Não somos solidários, nem poderíamos ser, com as discriminações e massacres que estão ocorrendo na Iugoslávia. O presidente criticou, entretanto, o fato de os bombardeios da Otan terem sido feitos sem a aprovação do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Segundo Fernando Henrique, um dos problemas da ação da Otan na Iugoslávia é a reação que os pessoas estão tendo: Nos preocupa o fato de a opinião pública mundial está olhando esse bombardeio com mais do que apreensão, com inquietação, perguntando o que é que vai acontecer depois? Isso resolve? O presidente afirmou que a posição brasileira é favorável à negociação. Nós achamos que é preciso ter mais esforços de negociadores. O Brasil sempre é favorável a processos negociadores.
Líderes da União Européia (UE) divulgaram ontem na Bélgica um plano de paz das Nações Unidas para Kosovo. Eles disseram que a campanha de três semanas de bombardeios da Otan seria suspensa caso Belgrado atendesse imediatamente exigências-chave. Um comunicado anunciou que elas são: um fim imediato do uso da violência; retirada de todas as forças; entrada de uma força de segurança internacional e o retorno de todos os refugiados.
Mas mais cedo em Belgrado, onde o presidente iugoslavo Slobodan Milosevic fez sua primeira aparição pública desde o início dos bombardeios em 24 de março, seu convidado, o presidente da Bielo-Rússia, Alexander Lukashenko, deu poucas esperanças de uma mudança na linha dura da Iugoslávia.
A Alemanha, que exerce a presidência rotativa da UE, também lançou seu plano de paz próprio, que envolve a suspensão dos ataques aéreos por 24 horas se Milosevic começar a retirar tropas de Kosovo. O ministro do Exterior alemão, Joschka Fischer, disse que a Rússia, que tem se oposto fortemente à campanha de bombardeio, tinha concordado quase completamente com seu plano apesar de ainda ter preocupações em relação à composição de uma força internacional de paz para Kosovo.Arquivo FolhaFHC chegou ontem a Bonn pessimista quanto à eficácia de ataques da OtanAgência Estado
e Reuters





