Festival faz milhões de hindus lavarem a alma em Allahabad
No próximo dia 24, ao iniciar-se um novo período lunar, pelo menos 30 milhões de pessoas estarão em Allahabad, a 650 quilômetros de Nova Délhi, na India, na confluência dos rios Ganges e Yamuna, para lavar a alma e se livrar dos pecados. É a primeira das seis ocasiões especiais do Kumbha Mela (Festival do Cântaro), em que os indianos entram nas águas geladas dos dois rios. Cada uma delas acontece de 12 em 12 anos e dura 42 dias.
O festival foi promovido por agências de turismo de todo o mundo como o primeiro Kumbha do milênio, ainda que os indianos ortodoxos não sigam o calendário cristão. A previsão é de que 80 milhões de pessoas de todo o mundo se banhem nesses rios para lavar os pecados e diminuir o número de encarnações, segundo o ritual hindu.
As autoridades já anunciaram que só permitirão que 30 mil pessoas entrem no rio de cada vez, e por um minuto, para que todos tenham oportunidade de cantar mantras ou conjurações sagradas.
O Kumbha Mela de Allahabad é o maior e mais importante dos quatro festivais religiosos do mesmo tipo, celebrados também na cidade himalaia de Haridwar e em localidades centrais de Ujjain e Nasik. Segundo a religião hindu, os quatro locais foram benzidos com gotas que saíram de um cântaro cheio do elixir da imortalidade, disputado em batalha por deuses e demônios. Os indianos acreditam que o contato com a água desses locais sagrados, quando o céu se abre em raras configurações planetárias, os tornam imortais. Um dos registros mais antigos do Kumbha Mela de Allahabad é o relato da visita feita pelo historiador e viajante chinês Tsuan Tsang.
Muitas tragédias ocorreram no passado por causa da aglomeração de tanta gente nas margens dos rios. Numa delas, em 1954, pelo menos 500 pessoas morreram. Hoje, as autoridades cumprem rigorosamente as recomendações formuladas por uma comissão que investigou a tragédia ocorrida há 46 anos. Mesmo assim, estão preocupadas com as ameaças feitas por separatistas do Estado de Cachemira.





