France PresseSimbolismoO cardeal Cassidy acendeu duas velas do candelabro ritual, em nome do Papa, simbolizando o entendimento.Pela primeira vez uma cerimônia judaica foi celebrada no coração do Vaticano, não distante da Basílica de São Pedro, por ocasião do 50º aniversário da criação do Estado de Israel. A primeira vela de Hanuká (festa das luzes) foi acesa ontem, ao cair da noite nos jardins do Vaticano, pelo cardeal australiano Edward Cassidy, presidente da Comissão Vaticana para as relações com os judeus, na presença do vice-primeiro-ministro israelense Moshe Katzav e do ministro das relações exteriores do Papa, Monsenhor Jean-Louis Tauran.
A festa de Hanuká celebra o milagre da lâmpada de azeite, encontrada pelos macabeus no templo de Antíoco IV - rei sírio que combateu sem êxito contra os judeus - e que ficou acesa por oito dias, em vez de apenas um como o previsto pela quantidade de óleo.
O cardeal Cassidy, Katzav e Monsenhor Tauran destacaram os avanços conquistados nas últimas décadas nas relações entre católicos e judeus.
Katzav, por sua vez, insistiu na importância da colaboração entre a Santa Sé e Israel na preparação do Grande Jubileu do ano 2000.
‘‘Podemos festejar o século com um novo espírito e abrir assim um novo capítulo na história da humanidade’’, afirmou.
‘‘Estamos felizes e muito emocionados’’, comentou Tullia Zevi, presidenta das comunidades judaicas italianas. ‘‘Nosso país seguramente jamais poderia ter imaginado tantos avanços nessas relações em tão poucos anos, depois de séculos de incompreensão’’.
Esta festa evoca também a vitória dos macabeus contra os descendentes de Antíoco (165 a.C) e a valentia de todos os que combatem pela liberdade religiosa.
O embaixador de Israel na Santa Sé, Aharon Lopez, destacou que a mesma cerimônia, ‘‘símbolo do direito dos indivíduos à livre expressão de suas convicções religiosas’’, se celebrava esta noite em 33 capitais de todo o mundo.
Depois das rezas rituais, o cardeal Cassidy acendeu duas velas do candelabro em nome do Papa.

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