No pior desastre marítimo em 35 anos na Grécia, 62 pessoas morreram ontem, na maioria turistas estrangeiros, e 29 estão desaparecidas no naufrágio de um ferry boat, com pelo menos 510 passageiros e tripulantes, perto da Ilha de Paros, no Mar Egeu.
O Express Samina havia deixado o porto de Pireu, na capital grega, às 17 horas locais e bateu num rochedo sinalizado, a quatro quilômetros da ilha, às 22h07. O capitão e quatro tripulantes que, segundo a televisão grega, assistiam a um jogo de futebol pela TV no momento do choque, foram presos pela Guarda Costeira.
Pesqueiros e socorristas gregos, apoiadas por helicópteros de dois navios da Marinha britânica, participavam da operação de resgate. ‘‘Estamos recolhendo corpos a todo instante’’, disse o chefe da costeira, Andreas Sirigos. Parte dos mortos, muitos deles crianças, foi levada ao aeroporto de Paros por helicópteros britânicos, para identificação.
O choque ocorreu num momento em que o mar estava bastante agitado na região. O Samina levou 45 minutos para afundar, mas a Guarda Costeira só foi alertada pela tripulação 20 minutos depois da colisão. ‘‘Esse acidente foi causado por pura negligência’’, disse o ministro da Justiça grego, Michalis Stathopoulos, acrescentando que entre os passageiros havia turistas gregos, britânicos, alemães, noruegueses, franceses, italianos, americanos e sul-americanos.
‘‘Só um cego não vê aquele rochedo, dotado de potente farol e outros tipos de sinalização’’, comentou Sirigos.
O ferry boat, de 4,4 mil toneladas e 115 metros de comprimento estava em operação havia 34 anos. Foi lançado ao mar com o nome de Golden Vergina e, posteriormente, rebatizado como Express Samina. Pertencia à empresa Minoan Flying Dolphins e figurava no guia de turismo Greek Island Hopping (editado na Inglaterra) como a pior embarcação de turismo da Grécia. ‘‘Evitem viajar nesse ferry’’, adverte o guia. ‘‘Além do péssimo estado, atrasa com muita frequência.’’
A empresa proprietária contestou as acusações, argumentando que o Samina havia sido inspecionado e liberado para cruzeiros no Egeu e Mediterrâneo pelo Ministério dos Transportes grego.
O argentino Diego Santillán, de 27 anos, contou que vários botes salva-vidas infláveis não funcionaram. ‘‘Acho que dos oito botes existentes, só dois foram lançados ao mar.’’ Santillán comparou o desastre ao naufrágio do Titanic. ‘‘Foi como no filme, vimos um rochedo gigantesco diante de nós e, em 20 minutos, estávamos nos debatendo no mar agitado. Sem os botes, as pessoas pulavam no mar com precários coletes salva-vidas e agarravam-se ao que podiam, ‘‘tudo que aparecia flutuando’’.

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