Buenos Aires - Numa decisão rápida e inesperada, o Congresso paraguaio abriu ontem processo de impeachment contra o presidente Fernando Lugo. O afastamento pode ocorrer hoje, em sessão do Senado. Surpreendida, a presidente Dilma Rousseff enviou o chanceler Antonio Patriota a Assunção para trabalhar pela permanência de Lugo no cargo.
A principal acusação ao presidente é ser responsável pela morte de 18 pessoas, na última sexta-feira, num conflito agrário entre policiais e camponeses que ocupavam uma fazenda em Curuguaty, fronteira com o Brasil.
Pela manhã, a abertura de processo foi aprovada na Câmara por 76 parlamentares. Apenas 1 ficou ao lado de Lugo, evidenciando seu isolamento político. Depois, foi a vez do Senado.
Aberto o processo, a Câmara, atuando como ''promotora'', formalizou à noite as acusações, que serão julgadas no Senado. Se aprovadas por 30 dos 45 senadores (dois terços), Lugo é afastado.
O presidente terá duas horas para apresentar sua defesa, a partir das 13 horas. Lugo fragilizou-se ao perder ontem o apoio do seu principal aliado, o PLRA (Partido Liberal Radical Autêntico). A legenda aderiu a um processo de impeachment que vinha sendo estudado havia alguns dias pela principal sigla de oposição, o Partido Colorado. Lugo agora tem apenas 3 deputados em 80 e 3 senadores em 45.
Quando eleito, Lugo tornou-se o primeiro presidente a romper a hegemonia de mais de 60 anos do Partido Colorado no poder. Durante a tarde de ontem, simpatizantes do presidente passaram a se concentrar na praça em frente ao Congresso, em Assunção. Hospitais foram colocados em alerta por medo de violência.
Se confirmada a saída, assume o vice, Federico Franco, que rompeu com Lugo. Em sua defesa, o presidente disse anteontem que não renunciará ao cargo para o qual foi eleito pelo voto popular. A próxima eleição presidencial está prevista para abril de 2013. No Paraguai, não há reeleição.

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