Fernández assume a presidência na República Dominicana
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segunda-feira, 16 de agosto de 2004
France Presse 
Santo Domingo Leonel Fernández assumiu ontem a presidência da República Dominicana para um mandato de quatro anos. Durante seu discurso anunciou a instauração de um plano de austeridade, que provocará uma redução de pelo menos 20% dos gastos estatais. ''Será como caminhar em um campo minado, ou estar sentado sobre um fogão aceso'', exemplificou Fernández, que assume a presidência de um país abalado por uma profunda crise econômica.
O novo presidente, que já ocupou o cargo entre 1996 e 2000, sucedeu a Hipólito Mejía, em uma cerimônia que contou com a participação de dirigentes latino-americanos e os príncipes de Astúrias. Além de Felipe Borbón e sua esposa Letícia, participaram do evento os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Alvaro Uribe (Colômbia), Jorge Batlle (Uruguai), Mireya Moscoso (Panamá), Boniface Alexandre (Haiti), Ricardo Maduro (Honduras), Abel Pacheco (Costa Rica), e Oscar Berger (Guatemala).
Também compareceram os primeiros-ministros de Taiwan, Yu Shyi-Kun; de Belize, Said Mussa; e das Antilhas Holandesas, Etienne Nestor; assim como o recém-eleito secretário-geral da Organização dos Estados Unidos e ex-presidente costarriquenho Miguel Angel Rodríguez.
Para superar a crise econômica, Fernández conta com o apoio da comunidade internacional, considerando obrigatório que a República Dominicana respeite seus compromissos em matéria de pagamento de sua dívida externa. Porém, esclareceu logo em seguida que o país ''não tem como pagá-la'', e anunciou projetos de renegociação.
O novo presidente prometeu fazer todo o possível para cumprir a meta de reduzir um déficit do Banco Central de 1,2 bilhão de dólares. A reforma fiscal é um compromisso assumido pelo governo precedente com o Fundo Monetário Internacional, e que está atualmente paralisado por causa do colapso de três bancos comerciais, que provocaram perdas ao Estado de US$ 3,1 bilhões em 2003.
Como compensação, Fernández anunciou a aplicação do plano social ''comer é a prioridade'', que prevê fornecer alimentos a 25.000 famílias pobres. Entretanto, os subsídios à energia elétrica e ao gás liquefeito serão reestruturados. Fernández, que venceu as eleições de maio passado com 57,1% dos votos, também anunciou um governo de ''união nacional'', que se apoiará em um ''conselho econômico nacional'' para encarar a crise.
O novo presidente assumiu em meio a um déficit de fornecimento elétrico de cerca de 50%, com apagões de até 20 horas por dia. Para resolver este problema, Fernández anunciou ações que incluem a contratação de uma linha de crédito de US$ 50 milhões e outras medidas internas, além da licitação internacional para a revenda das empresas estatais de distribuição elétrica.


