Fenômeno provoca mais temor no Oriente Médio
Associated Press
De Ramnicu Valcea
Turistas e cientistas dirigiram-se à Europa Oriental para observar o último eclipse solar total do milênio. No Oriente Médio, os muçulmanos preferiram ficar trancados em casa ou buscar refúgio nas mesquitas. A passagem da sombra da Lua sobre a cidade romena de Ramnicu Valcea durou dois minutos e 23 segundos, local onde pode ser observado por mais tempo. Milhares de pessoas se aglomeraram nas ruas de Ramnicu Valcea - cidade de cerca de 100 mil habitantes - e no topo dos telhados para apreciar o espetáculo.
Conforme a Lua ia cobrindo o sol, a temperatura, que até então era de 30 graus Celsius, caía acentuadamente. Além dos romenos, a cidade de Ramnicu Valcea recebeu turistas da Alemanha, Japão e Grã-Bretanha. Estamos um pouco assustados, dizia Silvia Popa, uma contadora de 44 anos, lembrando uma superstição dos Bálcãs relacionada com o desaparecimento do Sol. Dizem que depois do eclipse haverá uma grande tempestade ou um cataclisma, completou. Contudo, nenhum dos dois fatos ocorreu.
Na Turquia, barracas de alimentos e souvenirs invadiram a antiga vila de Harput (de 4 mil anos de idade), no sudeste do país, para abastecer as centenas de pessoas que ali se dirigiram para apreciar o eclipse. Os ambulantes vendiam de tudo, de móveis a tapetes. A vila, de apenas 150 habitantes e localizada num vale árido, foi o local eleito por muitos cientistas para observar o fenômeno. Os cerca de 1,1 mil pesquisadores estavam felizes com as boas condições de tempo, que permitiram uma visão perfeita do eclipse.
Em Argel, na Argélia, a população invadiu as mesquitas para oferecer o Salat El Kousouf, uma prece especial para o eclipse. Os empregadores permitiram as mulheres faltarem ao trabalho para tomar conta de seus filhos.
No Egito, os muçulmanos trancaram-se em casa, enquanto outros lotaram as mesquistas, seguindo as ordens do clero, quando terremotos e uma inesperada chuva de granizo intensificaram a inquietação com relação ao eclipse.
Os governos da Síria e da Jordânia decretaram feriado nesta quarta-feira e alertaram a população para que permacessem dentro de casa. As autoridades no Sudão e no Líbano cancelaram as aulas nas escolas.
O alto clero no Egito e no Líbano emitiu um informe, proibindo o povo de olhar diretamente para o Sol, porque não era islâmico prejudicar-se a si mesmo. Orações especiais sobre o eclipse foram realizadas nas mesquitas da Argélia ao Irã, onde participaram milhões de muçulmanos.
Na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, as ruas estavam desertas e lojas e escritórios governamentais fechados durante o eclipse. Muitos palestinos permaneceram em casa atendendo os repetidos alertas das autoridades de saúde para evitar olhar para o Sol a todo custo. Na maior parte do Oriente Médio, pode-se observar entre 60% e 82% do Sol sendo encoberto pela Lua. O eclipse total ocorreu apenas no Irã e Iraque.





