Felipe VI defende monarquia íntegra e Espanha unida
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quinta-feira, 19 de junho de 2014
France Presse 
Madri - Felipe VI defendeu uma Espanha unida e uma monarquia "íntegra e transparente", ao assumir ontem uma Coroa desprestigiada pelos escândalos e virar o rei de um país que enfrenta o desafio nacionalista na Catalunha e no País Basco.
Vestido com uniforme de gala militar, incluindo a faixa de capitão geral dos exércitos que havia recebido pouco antes do pai Juan Carlos I, o novo monarca, de 46 anos, jurou fidelidade à Constituição que devolveu a democracia ao país em 1978.
Em suas primeiras palavras como rei, prestou homenagem ao pai, que abdicou aos 76 anos, por seu papel na "reconciliação" do país após a morte do ditador Francisco Franco (1939-1975).
O monarca ressaltou uma "homenagem de gratidão e respeito" ao pai, que abdicou após 39 anos de reinado, como representante de "uma geração de cidadãos que abriu caminho para a democracia, o entendimento entre os espanhóis e a sua convivência em liberdade". Porém, o mais aguardado de um discurso pronunciado diante de deputados e senadores reunidos no Congresso, na ausência de Juan Carlos - que deixou o protagonismo para o filho -, era a visão do novo rei diante dos grandes desafios que o aguardam.
"Temos fé na unidade da Espanha, da qual a Coroa é símbolo", afirmou, em referência ao desafio da Catalunha, região determinada a organizar em 9 de novembro um referendo de independência, considerado ilegal pelo governo do primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy.
A Constituição de 1978 "reconheceu nossa diversidade como uma característica que define nossa própria identidade, ao proclamar a vontade de proteger todos os povos da Espanha, suas culturas e tradições, línguas e instituições. Uma diversidade que nasce de nossa história, nos engrandece e deve nos fortalecer", disse.
Depois de pedir que "nunca se rompam as pontes do entendimento", defendeu a diversidade do país e terminou o discurso com agradecimentos em espanhol, galego, catalão e euskera, o idioma do País Basco, onde o desejo de independência também ganha força.
"Desejamos uma Espanha na qual todos os cidadãos recuperem e mantenham a confiança em suas instituições e uma sociedade baseada no civismo e na tolerância, na honestidade e no rigor, sempre com uma mentalidade aberta e construtiva e com um espírito solidário", declarou.
Felipe VI prometeu uma monarquia "íntegra e transparente" após os escândalos que afetaram a família real e provocaram a forte queda de popularidade de Juan Carlos.
A cerimônia, para a qual não foram convidados chefes de Estado ou representantes de outras famílias reais, não contou com a presença de uma das irmãs do novo rei, a infanta Cristina, nem do marido desta, Iñaki Urdangarin, ambos indiciados em um caso de suposta corrupção. O crédito da monarquia, fundamental nos instáveis anos de transição democrática, caiu muito nos últimos anos por escândalos como o de Cristina ou o da caça em Botsuana do monarca em plena crise econômica.


