Assunção - Oito especialistas do FBI (a polícia federal dos EUA) vêm inspecionando detalhadamente as instalações do supermercado Ycuá Bolanos para se certificar de que o centro comercial não foi alvo de um atentado terrorista.
Três técnicos fizeram uma vistoria preliminar na terça-feira, acompanhados por um policial colombiano e de peritos locais. Ontem, foram incorporados à perícia outros cinco especialistas americanos.
O ministro do Interior, Orlando Fiorotto, voltou a descartar a hipótese de atentado. As suspeitas em torno de um possível ataque terrorista começaram depois que foi constatado que uma caminhonete, parada no estacionamento subterrâneo, teve as portas violentamente arrancadas.
Um porta-voz do corpo de bombeiros, no entanto, explicou que alguns carros tiveram as portas forçadas pelos próprios bombeiros na tentativa de salvar sobreviventes. Cerca de 15 veículos foram danificados por cauda da força do calor e do fogo. O chefe de Segurança Pública do Governo, comissário Eustaquio Colman, assegurou que não há sinais de explosão de bombas no estacionamento.
A outra possibilidade levantada pela imprensa é a colocação de bombas de plástico na área reservada aos alimentos. A principal suspeita, no entanto, é a de uma faísca que teria atingido um escapamento de gás.
Pelo menos 372 pessoas morreram em cerca de 30 minutos. O fechamento das portas de saída, supostamente a pedido dos proprietários do supermercado, com medo de saques, contribuiu para a tragédia.
José Villamayor, um funcionário de uma empresa de seguros que perdeu a esposa, disse à AFP que, antes de desmaiar, ''bolas de fogo invadiram o ambiente em questão de segundos''. ''Quando corri antes de cair, pisei em vários corpos. Os bombeiros me salvaram, porque só resgatavam aqueles que davam sinais de vida'', afirmou.
O procurador-geral do Estado, Oscar Latorre, disse que ''não há indícios para afirmar que foi um atentado'', mas que tudo será esclarecido com a inspeção dos técnicos.
Juan Pío Paíva e seu filho Daniel, proprietários do supermercado, foram presos na noite de terça-feira, acusados de ''homicídio doloso'', e podem pegar até 25 anos de prisão.

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