Jerusalém, Israel - As facções palestinas Fatah e Hamas anunciaram ontem ter estabelecido um acordo de reconciliação em um importante gesto que pode encerrar, nas próximas semanas, a divisão política entre ambos.
O pacto prevê a criação de um governo de unidade em cinco semanas e a realização de eleições nacionais seis meses após voto de confiança no Parlamento palestino.
"O acordo significa o fim do mais sombrio capítulo de nossa história recente", disse à reportagem Husam Zomlot, vice-comissário para as relações internacionais da facção Fatah. "Nós teremos uma frente unificada contra o verdadeiro inimigo, a ocupação [militar israelense]."
Ambas as facções estão divididas desde o conflito violento pelo controle da faixa de Gaza em 2007, em que venceu o Hamas. O rival Fatah controla a Cisjordânia.
Essa não será a primeira tentativa de reunificar as facções, razão pela qual a notícia foi recebida em Israel e nos territórios palestinos com um forte ceticismo.
"Por nossa parte, é sério. Esperamos que eles também estejam comprometidos", declarou o vice-comissário Zomlot. Responsáveis pelo Hamas não responderam os pedidos de entrevista da reportagem.

Israel
A reconciliação entre Fatah e Hamas deve sofrer oposição por parte de Israel, que se nega a incluir o Hamas - considerado como grupo extremista - nas mesas de negociação para a paz com a liderança palestina.
Binyamin Netanyahu, premiê israelense, havia afirmado recentemente que o presidente palestino Mahmoud Abbas teria de escolher entre assinar a paz com Israel ou com sua facção rival, Hamas.
O líder palestino não parece ter de tomar essa decisão, porém, já que as negociações de paz com Israel estão há meses estagnadas, após terem sido retomadas no ano passado. O prazo para as conversas expira em 29 de abril, e não há indícios de que elas serão renovadas.
Fatah e Hamas terão de, nas próximas semanas, resolver os detalhes de sua disputa para concretizar a unificação anunciada. Entre as questões problemáticas está decidir o futuro das forças de segurança do Hamas, que podem ser desmanteladas ou assimiladas às forças da Autoridade Nacional Palestina.

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