Karl Penhaul
Reuter

Arquivo FolhaExército teve quase uma centena de baixas na semana passadaO líder guerrilheiro que comandou o mais forte golpe impingido no exército colombiano nos últimos 30 anos declarou como objetivo militar os assessores antidrogas dos Estados Unidos, a quem acusou de dirigirem operações encobertas de contra-insurgência. Em entrevista em seu acampamento nas selvas do Departamento de Caquetá, o dirigente das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Fabián Ramirez, disse que seus homens estão muito motivados para continuar combatendo.
Há duas semanas, 300 rebeldes das Farc atacaram um batalhão especializado na luta contra-insurgência, numa ofensiva na qual morreram 83 militares e outros 43 foram capturados, segundo a guerrilha. ‘‘Falar que os Estados Unidos estão combatendo o narcotráfico na América Latina, especialmente na Colômbia, é encobrir a verdade. Todas as ajudas, tanto econômica quanto militar, ao exército colombiano são destinadas ao combate à guerrilha’’, afirmou Ramirez, enquanto um avião OV-10, de fabricação americana, bombardeava as imediações do acampamento rebelde.
‘‘Na maior parte dos batalhões existem assessores militares americanos ajudando a combater a guerrilha. Está muito claro que a ira colombiana vai explodir a qualquer momento e o objetivo também será derrotar os americanos’’, acrescentou. O porta-voz do comando sul dos Estados Unidos, Byron Conover, estimou que existem cerca de 30 assessores militares americanos, incluindo operadores de radar, na Colômbia. Mas fontes independentes e analistas políticos falam de um número muito maior que estaria levando à ‘‘vietnamização’’ da política americana para a Colômbia.
Há uma semana, o presidente colombiano, Ernesto Samper, ordenou o envio de 5 mil homens para desalojar os guerrilheiros comandados por Ramirez e resgatar os militares detidos. Ramirez condenou a ‘‘indiscriminada’’ ação do exército e fez um chamamento aos soldados para desertarem em massa depois de advertir sobre o perigo iminente de novos combates. Ele acrescentou que ‘‘estamos seguindo o plano ofensivo. Se chegar o exército, saímos para combatê-lo...As Farc estão capacitadas para enfrentar esse exército de elite que dizem está sendo formado’’.

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