Um negociador das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) afirmou ontem que a guerrilha proporá um cessar-fogo bilateral para o governo no próximo dia 22. ‘‘Esse cessar-fogo deve reunir dois requisitos. Primeiro, ser bilateral. E segundo, que não tenha outro tipo de condição que não seja o fim das operações militares de caráter ofensivo’’, disse o comandante Carlos Atonio Lozada, um dos porta-vozes rebeldes que participam da mesa de negociações.
As duas partes trocaram suas propostas sobre a paz em 3 de julho e estabeleceram o prazo de um mês (prolongável) para estudá-las. O conteúdo das propostas continua em segredo. As Farc e os negociadores do governo iniciaram as conversações de paz há 20 meses, quando foi entregue aos insurgentes o controle de uma zona desmilitarizada de 42 mil quilômetros quadrados no sul da Colômbia.
O governo do presidente Andrés Pastrana vem insistindo que juntamente com um cessar-fogo – que poria um fim aos combates – quer também o fim das hostilidades – que implica no término das ações rebeldes contra a população civil, como sequestros e extorsões.
A proposta de uma trégua bilateral seria feita exatamente num momento em que pode ocorrer uma intensificação do conflito interno devido à aplicação do Plano Colômbia, a estratégia antinarcóticos do governo de Bogotá, que conta com o respaldo dos Estados Unidos.
Guerrilheiros colombianos, alguns disfarçados de policiais, infiltraram-se em uma delegacia de polícia do norte do país e assassinaram sete agentes, informaram autoridades locais. Foi a continuação de uma ofensiva rebelde que deixou um saldo de 35 mortos após a visita do presidente norte-americano Bill Clinton.

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