O presidente Andrés Pastrana suspendeu ontem uma reunião de representantes internacionais com a guerrilha em prostesto contra o assassinato de uma mulher com um colar de explosivos, num ato terrorista sem precedentes que tem causado indignação em toda a Colômbia. O presidente disse que o crime contra Elvia Cortez é um episódio do qual ‘‘até as bestas se envergonhariam’’.
Delegados de 22 países se reuniriam no final de maio com a cúpula das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) a fim de examinar os problemas do narcotráfico e sua repercussão no meio ambiente.
Cortez foi assassinada anteontem em Chiquinquirá, 110 km ao norte de Bogotá. O exército e a polícia acusam que o crime foi praticado por guerrilheiros das Farc, que pretendiam extorquir US$ 7.500 da camponesa. ‘‘Estamos horrorizados, estamos indignados, mas, sobretudo, estamos decididos a acabar com essa barbárie’’, disse Pastrana.
Dom Héctor Gutiérrez Pabón, bispo de Chiquinquirá, afirmou que ‘‘se isso foi feito pela guerrilha, devemos nos levantar da mesa de negociações porque estão nos enganando’’.
O procurador-geral Alfonso Gómez informou ontem que as investigações ainda não determinaram quem foram os autores do crime. ‘‘Não posso me aventurar a antecipar hipóteses, espero que em poucos dias possamos informar ao país quem foram os autores desse ato desumano e cruel’’, disse Gómez numa entrevista à Radionet.
Por seu lado, o comandante das Forças Armadas, general Fernando Tapias, afirmou que esse tipo de crime ‘‘não são atos de paz’’ e que devem forçar o governo a reexaminar as verdadeiras intenções da guerrilha, que proclama que quer a pacificação do país mas diariamente executa atos terroristas contra o povo.
‘‘Exijo desse movimento mudança de atitude e fatos claros que demonstrem aos colombianos e à comunidade internacional sua vontade de paz’’, disse Pastrana sobre as Farc.
O general Rosso José Serrano, diretor da Polícia Nacional, denunciou que o assassinato da camponesa era um ato de intimidação para obrigar a população da região a fazer pagamentos à guerrilha. ‘‘É um ato de perversidade contra o povo colombiano que não foi visto nem nos piores tempos do nazismo’’, disse Serrano.

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