Farc mantém ataques na Colômbia
Associated Press
De Bogotá
Guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) atacaram ontem a cidade colombiana de Cucutilla, 610 quilômetros a nordeste de Bogotá, na fronteira com a Venezuela. A guarnição de 15 policiais que tentava defender a cidade não resistiu ao assédio do grupo guerrilheiro, fortemente armado. Testemunhas que entraram em contato com emissoras de rádio disseram que pelo menos dois policiais estavam feridos.
Esse foi o sexto dia de uma das mais violentas ofensivas das quase quatro décadas da história das Farc.
Fortes combates entre guerrilheiros e soldados do Exército eram travados também na zona rural de Puerto Rico, município do sul do país, perto da área desmilitarizada de 42 mil quilômetros quadrados, onde representantes das Farc e do governo do presidente colombiano, Andrés Pastrana, devem reunir-se na terça-feira para negociações de paz.
Além dos ataques a cidades, os rebeldes têm feito reféns civis em várias partes do país. Em Putumayo, na fronteira sul com o Equador, as Farc capturaram 250 pessoas num bloqueio de estrada. Outros 120 civis foram aprisionados pelos guerrilheiros também em bloqueios erguidos em estradas próximas à área desmilitarizada.
Os novos ataques foram registrados pouco depois de o comandante das Forças Armadas do país, general Fernando Tapias, ter anunciado o triunfo do Exército na operação de conter o que os militares qualificaram como uma ofensiva total das Farc.
Numa entrevista coletiva concedida em Bogotá, Tapias garantiu que as forças governamentais recuperaram o controle em todas as regiões atacadas pela guerrilha nos últimos dias. Ele apresentou também um relatório segundo o qual 287 rebeldes morreram nos combates desde quinta-feira. O Exército sofreu 40 baixas e a Polícia Nacional, 27. Entre 12 mil e 15 mil guerrilheiros tomaram parte da ofensiva contra cerca de 40 localidades, segundo ele. O efetivo total das Farc é estimado em 17 mil homens.
Ontem à tarde, após tomar conhecimento das últimas ações da guerrilha, o general qualificou-as de operações isoladas. Entre os alvos da ofensiva das Farc estava a capital do país, Bogotá.
De acordo com a maioria dos analistas políticos do país, a ofensiva tinha o objetivo de demonstrar o poderio militar das Farc para reforçar sua posição no diálogo de paz com o governo.





