Numa cerimônia cercada de câmeras de tevê e jornalistas, o que irritou o comando militar colombiano, o grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (Farc) libertou ontem mais 14 militares e policiais enfermos, elevando para 43 o total de prisioneiros entregues desde sábado. A decisão da guerrilha esquerdista, acompanhada de atitude paralela do governo colombiano (que soltou 11 rebeldes também doentes, pela primeira vez nos 37 anos de conflito), integra acordo humanitário entre as partes.
As Farc devem entregar hoje mais um grupo de enfermos e já anunciou que outros 100 em ‘‘bom estado de saúde’’ serão soltos, unilateralmente, nos próximos 15 dias. O governo calcula que o grupo mantém em cativeiro pelo menos 500 soldados e policiais e um grande número de civis sequestrados.
‘‘Esse show exibido pelas Farc desde sexta-feira à tarde na zona de distensão (42 mil quilômetros quadrados, ocupados pelos rebeldes no Sul do País) não vai contribuir em nada para apagar as terríveis imagens de centenas de sequestrados enjaulados’’, afirmou o general Fernando Tapias, comandante das Forças Armadas da Colômbia, numa referência a cenas gravadas pela televisão colombiana há alguns meses (com autorização dos rebeldes) de campos de prisioneiros mantidos pelas Farc nas selvas.
As imagens, comparadas a campos de concentração nazistas, causaram grande impacto na opinião pública colombiana. Parentes dos prisioneiros começaram, desde então, a exercer grande pressão sobre o governo para uma troca de prisioneiros.
A maioria dos libertados ficou em cativeiro quase três anos, em condições apontadas como subhumanas. Uma das vítimas, identificada como policial Ricardo Galarraga, contou que quando ia tomar banho era levado ‘‘como um cão’’ com uma coleira no pescoço. ‘‘Depois que três de nossos companheiros tentaram fugir, fomos confinados num campo cercado com arame farpado’’, destacou Galarraga, que foi capturado pelos guerrilheiros em novembro de 1998 em Mitú, perto da fronteira com o Brasil. Ele disse que cerca de dois mil guerrilheiros participaram da ação. Dezoito policiais morreram e 61 foram sequestrados.
Galarraga, de 39 anos, está há 16 na polícia colombiana. Ele revelou que contraiu febre amarela no cativeiro. ‘‘Pesava 94 quilos e agora tenho apenas 70’’, ressaltou. Para passar o tempo, jogava futebol, lia e fazia artesanato em madeira.
Segundo um médico do governo, o estado da maioria é de grande debilitação. O acordo de troca de prisioneiros foi assinado no dia 2.

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