Os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) propuseram ontem a formação de um governo de reconstrução nacional para solucionar a longa crise atravessada pela nação. A proposta foi lançada por um dos negociadores da guerrilha durante a entrega de 242 soldados e policiais, que passaram muitos meses em poder das Farc, a delegados da Cruz Vermelha Internacional.
O insurgente Joaquín Gómez reiterou a intenção das Farc ‘‘de ir à mesa de diálogo com a urgência que o país pede para negociar acordos nos aspectos fundamentais, como são o econômico e o político, e propor um governo de reconciliação e reconstrução nacional’’.
De acordo com Gómez, ‘‘o regime oligárquico’’ de liberais e conservadores está em crise, motivo pelo qual a Colômbia necessita de um governo com a participação da guerrilha.
Ele acrescentou que a libertação desse grupo de policiais e soldados tem grande significado político e apresenta, apesar das dificuldades do processo de paz, ‘‘do nosso ponto de vista, resultados positivos’’.
Os reféns foram entregues a delegados da Cruz Vermelha Internacional, que por sua vez os deixaram nas mãos do Comissário de Paz, Camilo Gómez.
Houve música e foi entoada a internacional, o tradicional hino comunista, o hino das Farc e foram içadas bandeiras da Colômbia e do Partido Comunista colombiano.
Cerca de 3.500 pessoas assistiram à cerimônia, inclusive o septuagenário líder das Farc, Manuel Marulanda, e 10 embaixadores dos países facilitadores do processo de paz.
As Farc informaram que os 242 policiais e soldados libertados ontem e outros 60 que serão soltos nos próximos dias fazem parte de gestos unilaterais destinados a fortalecer o processo de paz iniciado em 7 de janeiro de 1999.
No entanto, ainda ficarão em suas mãos 42 reféns que são oficiais de alta patente tanto no Exército quanto na polícia, com a esperança de trocá-los por chefes guerrilheiros. O governo do presidente Andrés Pastrana aceitou uma única troca de 14 guerrilheiros por 55 soldados e policiais.

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