Imagem ilustrativa da imagem Farc iniciam conferência para confirmar acordo de paz
| Foto: LUIS ACOSTA/AFP



El Diamante, Colombia - A guerrilha das Farc inicia neste sábado (17) em uma área remota do sudeste da Colômbia sua 10ª conferência nacional com o objetivo de confirmar um histórico acordo de paz e se tornar um movimento político legal após 52 anos de conflito armado. As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) debaterão até a próxima sexta-feira em seu tradicional reduto de Caguán o pacto alcançado com o governo de Juan Manuel Santos após quase quatro anos de negociações em Cuba.

Em um enorme palco e diante de 200 jornalistas nacionais e internacionais, o líder máximo das Farc, Timoleón Jiménez, "Timochenko", iniciará a conferência, que pela primeira vez é realizada com o aval das autoridades e aberta à imprensa.

A região dos Llanos del Yarí, onde no passado operava o histórico líder e fundador das Farc, Manuel Marulanda, "Tirofijo", falecido em 2008 de aparentes causas naturais, foi escolhida por ser de influência das Farc há mais de 40 anos, informou o gabinete de imprensa da conferência.

Centenas de guerrilheiros procedentes de toda a Colômbia, entre eles 29 membros do Estado Maior das Farc e 200 delegados das diferentes estruturas rebeldes, deverão se pronunciar sobre o fim de um conflito que envolveu guerrilhas, paramilitares e agentes do Estado por mais de meio século, com um saldo de 260.000 mortos, 45.000 desaparecidos e 6,9 milhões de deslocados. Além disso, 24 rebeldes presos terão uma autorização especial do governo para comparecer ao evento, após o qual deverão voltar às diferentes prisões do país onde estão reclusos.

"É o evento mais importante em nossa história", disse a jornalistas horas antes da inauguração o comandante Carlo Antonio Losada, um dos chefes da guerrilha nascida em 1964 de uma revolta camponesa, e que segundo estimativas oficiais conta com 7 mil combatentes.

O pacto de 297 páginas estipula, além de pautas para o desenvolvimento agrário, solução ao problema das drogas ilícitas e participação política, o desarmamento dos guerrilheiros e sua reinserção social, assim como o sistema especial de justiça, ao qual poderão se beneficiar, e seu compromisso de reparar as vítimas. "Não duvidamos que o conjunto de delegados aprovará os acordos alcançados em 24 de agosto em Havana", disse Losada.

Mas para especialistas como William Rozo Álvarez, do Centro de Investigação de Educação Popular (Cinep), para além da ratificação, a conferência será um termômetro do poder da liderança.
"É importante ver quem estará e quem não estará para ver o grau de comando das Farc e de apoio ao acordo", disse à AFP.

Para entrar em vigor, o pacto ainda precisa ser aprovado pelos colombianos em um referendo convocado para 2 de outubro.

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