Paulo Pegoraro
De Cascavel
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) estão empenhadas em um trabalho de relações públicas no Brasil e outros países fronteiriços, para mobilizar apoio de movimentos populares. Um representante da FARC, Olivério Medina, 45 anos, esteve ontem em Cascavel, distribuindo uma ‘‘Carta Aberta’’ da organização, em um encontro de professores promovido pela APP-Sindicato.
A Folha obteve informação dos organizadores do encontro de que Olivério Medina efetivamente é ligado à organização, o que teria sido atestado também por movimentos populares de São Paulo, como o Núcleo de Educação Popular 13 de Maio, da capital paulista. Medina, que diz ser ex-sacerdote e ter ingressado na guerrilha há 15 anos, na região central de seu país, disse que atua, junto com um companheiro, a partir de um escritório em Brasília.
O colombiano, que pediu para não ser fotografado, afirma que sua presença no Brasil - e a de seu companheiro -, é conhecida das autoridades, mas não autorizada. Medina diz que busca criar opinião pública favorável à FARC, que ‘‘luta por um novo país, democrático, não capitalista e com economia não concentrada nas mãos de poucos’’. Além disto, denuncia a ‘‘intervenção norte-americana, que é uma intervenção contra a América Latina’’.
Um xérox de mapa que acompanha a ‘‘Carta Aberta’’ assinala onze áreas do norte da América do Sul onde os norte-americanos estariam intervindo. A carta sustenta que, na Colômbia, os militares dos EUA ‘‘participam ativamente nos combates, sob o pretexto da luta contra o narcotráfico’’, e o relações públicas relata que a presença dos norte-americanas no País é ostensiva, enquanto a FARC atua em sessenta frentes de guerrilha e tem forte estrutura urbana’’, segundo Olivério Medina.

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