Uma ‘‘greve armada’’ que bloqueou por longo tempo estradas, trilhas e vias fluviais em Putumayo, a zona onde mais se produz coca na Colômbia, terminou ontem por decisão dos rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
‘‘As Farc decidiram unilateralmente suspender a greve que também haviam decretado unilateralmente’’, disse Jan Egeland, enviado especial das Nações Unidas, que se reuniu anteontem em San Vicente del Caguán com Manuel Marulanda, líder máximo do grupo guerrilheiro.
O bloqueio à zona de Putumayo foi decretado em 27 de outubro em protesto contra a presença na região de grupos paramilitares que tinham por objetivo tirar das Farc o controle sobre 56 mil hectares plantados com coca em Putumayo, na fronteira com o Equador.
Segundo Egeland, um diplomata norueguês, os guerrilheiros ‘‘disseram ter terminado a greve para não prejudicar a população civil, mas advertiram que a luta contra paramilitares e militares continua’’.
Calcula-se que as Farc tenham um contingente de 2 mil homens na zona de Putumayo, enquanto os paramilitares são apenas 600. O bloqueio da guerrilha à zona produtora de coca afetou cerca de 350 mil pessoas, que ficaram durante semanas à beira da fome e sem qualquer possibilidade de assistência hospitalar.
O governo do presidente Andrés Pastrana teve que enviar alimentos e remédios à população por via aérea e em caravanas de caminhões escoltadas por tanques e helicópteros.
Cerca de 4 mil camponeses da região fugiram da violência e da penúria buscando refúgio no Equador, mas já regressaram do país vizinho, segundo a Rede de Solidariedade Social do governo.

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