Bogotá - O porta-voz das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) Rodrigo Granda descartou ontem em comunicado liberar a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt sem que antes o governo colombiano libere guerrilheiros da Farc que mantém presos. ''Só como consequência de uma troca de prisioneiros sairão livres aqueles que estão cativos nos nossos acampamentos. Não é admissível que nos peçam mais gestos de paz, quando depois de tantas mostras de nossa vontade política em encontrar saídas para o conflito, nos respondem com infâmias'', afirmou Granda.
''E que ninguém pose de inocente, porque todos os que estão cativos são responsáveis pelo acirramento da guerra, inclusive Ingrid. E é preciso dizer que nenhum deles está em piores condições do que Simón Trinidad ou Sonia (codinomes de guerrilheiros que estão presos)'', prossegue o comunicado.
As declarações vieram no mesmo dia em que o avião enviado pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, para um possível resgate ou tratamento médico da ex-candidata, que tem nacionalidade francesa, chegou a Bogotá.
O avião foi recebido por advertências do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) de que as Farc não realizaram nenhum contato a respeito da liberação de Ingrid e por ironias da agência de notícias pró-guerrilha Anncol, que classificou de ''ingênuo'' o mandatário francês.
Em Bogotá, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, se reuniu com os embaixadores de França, Suíça e Espanha, os três países autorizados pelo governo a facilitar as negociações com as Farc, que mantêm 39 sequestrados políticos.
A mobilização para liberar Ingrid imediatamente começou após o surgimento de relatos sobre seu precário estado de saúde -ela estaria com malária, hepatite B e leishmaniose, além de se recusar a comer.

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