A guerrilha colombiana das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) classificou ontem como ‘‘cínica e indesejável’’ a visita que o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, fará ao país no dia 30 deste mês, convocando os colombianos a ir às ruas para contestar ‘‘a atitude do chefe de um Império, que vem atiçar a guerra, enquanto persegue fins eleitorais’’.
‘‘A visita de Clinton é absolutamente indesejável, cínica, incentivadora da guerra e tem fins eleitoreiros’’, disse à imprensa o comandante Iván Ríos, das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.
Ríos, que fez a declaração na zona desmilitarizada de 42 mil quilômetros quadrados ao sul do país, disse que ‘‘nós continuamos nos matando, enquanto fazemos vênias aos imperialistas que nos prejudicam, interessados em fazer jogo de cena para ganhar votos nos Estados Unidos’’.
‘‘A nós, que importam as eleições norte-americanas?’’, questionou Ríos.
As Farc – o maior grupo guerrilheiro do país, com cerca de 12 mil combatentes – são contra a ajuda econômica e militar de US$ 1,3 bilhão, oferecida pela Casa Branca a Bogotá, para financiar o Plano Colômbia, de luta contra as drogas. Para os diversos grupos clandestinos colombianos, o plano só vai atiçar ainda mais a violência no país.
A ajuda será oficializada na visita de Clinton, no próximo dia 30, a seu colega colombiano, Andrés Pastrana, que respalda decididamente o programa, visando à erradicação dos cultivos de coca e papoula, à busca da paz com a guerrilha e à reativação da economia da Colômbia. A aplicação do chamado Plano Colômbia terá um custo total de US$ 7,5 bilhões.

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