Ex-guerrilheiro Iván Márquez teria cancelado comício por "incitação à violência" de adversários
Ex-guerrilheiro Iván Márquez teria cancelado comício por "incitação à violência" de adversários | Foto: Felipe Caicedo/AFP



Bogotá - A ex-guerrilha das Farc, transformada em partido político, suspendeu nesta sexta-feira (9) em caráter temporário sua primeira campanha eleitoral na Colômbia após cessar uma insurreição armada de meio século, até que tenha garantias de segurança para seus candidatos com vistas às eleições de 2018: as legislativas de março e as presidenciais de maio.
"Vamos suspender nossa campanha por um momento", disse o candidato presidencial e líder máximo da ex-guerrilha, Rodrigo Londoño ("Timochenko"), à W Radio.
O ex-comandante guerrilheiro assegurou que o hoje partido Farc (Força Alternativa Revolucionária do Comum) fará "uma avaliação muito tranquila" durante a interrupção das atividades políticas, enquanto pediu "reconciliação" e que cessem as agressões contra seus candidatos.
A candidata à vice-presidência da Farc, Imelda Daza, afirmou à AFP que a suspensão da campanha foi decidida "principalmente" pelas "agressões" e "sabotagens" que Londoño sofreu nos últimos dias.
A líder política afirmou que na segunda-feira, Iván Márquez, ex-comandante guerrilheiro e candidato ao Senado, teve que cancelar um comício público no município de Florencia, departamento de Caquetá (sul), por "incitamentos à violência" de um senador do opositor Centro Democrático. "Esta não é uma reação espontânea das pessoas", acrescentou a candidata à vice-presidência, que descartou ameaças de morte contra os candidatos rebeldes.
"Timochenko" também cancelou visitas por motivos de segurança e teve que ser protegido de pessoas que pretendiam agredi-lo durante atos políticos ou na saída de entrevistas a meios de comunicação.
Com 1% das intenções de voto, o líder rebelde está nas últimas posições entre os aspirantes à Presidência, de acordo com as pesquisas mais recentes.
"Qualquer um tem o direito de se expressar. O problema é quando uma pessoa fica sem argumentos e recorre à agressão", afirmou Londoño, que pediu que seus militantes mantenham a calma e evitem responder às agressões.
A Farc denunciou em um comunicado ataques a seus candidatos nos departamentos (estados) de Quindío, Caquetá e Valle del Cauca, que deixaram "feridos, entre eles dois menores, além de danos materiais a veículos e em uma sede sindical".
Por isso, afirmaram que recorrerão "às instâncias judiciais para que punam os responsáveis por estes atos".
Esperamos "que o governo, através dos mecanismos de que dispõem, nos garanta as condições mínimas para desenvolver nosso trabalho (...) e o direito a expor nossas ideias", afirmou Daza.
O presidente Juan Manuel Santos, que deixará o cargo em agosto após dois mandatos de quatro anos, pediu na quinta-feira que os colombianos repudiem as agressões de que são vítimas os aspirantes das Farc.
O ministro do Interior, Guillermo Rivera, assegurou nesta sexta-feira que quando ocorreram as agressões, os agentes de Polícia encarregados da segurança dos candidatos da ex-guerrilha "reagiram de imediato". "O governo nacional continuará dando garantias plenas ao partido Farc", disse Rivera, que pediu às autoridades judiciais para "examinar" as evidências e estabelecer os responsáveis.

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