São Paulo- As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) admitiram ontem que o garoto encontrado em Bogotá sob os cuidados do Instituto Colombiano de Assistência e Bem-Estar Familiar é mesmo Emmanuel, o filho da refém Clara Rojas.
As declarações das Farc demonstram que o presidente colombiano, Álvaro Uribe, estava certo em sua tese de que a guerrilha não pôde cumprir sua promessa de libertar três reféns porque o garoto simplesmente não estava em seu poder.
Em comunicado divulgado pela Agência Bolivariana de Imprensa, a guerrilha afirma que Emmanuel ''não poderia crescer em meio às operações bélicas do Plano Patriótico (ofensiva militar), dos bombardeios, dos combates, da mobilidade permanente e das contingências da selva''.
''Por isso, esse menino, de pai guerrilheiro, foi encontrado em Bogotá, sob a proteção de pessoas honradas, enquanto se negociava o acordo humanitário'', diz o comunicado, datado do dia 2 de janeiro e assinado pela direção da guerrilha.
As Farc referem-se à operação liderada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para resgatar três reféns - Emmanuel, Clara Rojas, sua mãe, e a ex-congressista Consuelo González de Perdomo - no final do ano passado. A missão fracassou porque a guerrilha não informou as coordenadas do local onde os reféns seriam libertados.
No mesmo comunicado, as Farc acusam ainda o governo do presidente colombiano, Álvaro Uribe, de ''sequestrar em Bogotá'' o garoto Emmanuel, com ''o infeliz propósito de sabotar sua entrega'' e a das outras duas reféns.
De acordo com as Farc, no entanto, o processo de libertação de Rojas e González ''seguirá seu curso, conforme foi prometido ao governo da República Bolivariana da Venezuela''.
Por fim, a guerrilha reiterou sua exigência de que o governo colombiano desmilitarize os municípios do sudoeste do país para negociar a troca de cerca de 40 reféns por 500 guerrilheiros presos.
As Farc anunciaram que libertariam os três reféns no último dia 18, como um ''ato de desagravo'' a Chávez, que foi afastado das mediações entre o governo da Colômbia e as Farc para um acordo humanitário.
A guerrilha suspendeu a operação de resgate sob alegação de que o Exército colombiano teria intensificado suas atividades na região onde os reféns seriam libertados.

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