FAO alerta América Latina para gripe aviária
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quarta-feira, 30 de agosto de 2006
France Presse 
Roma- A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) alertou ontem a América Latina de que a variante mais mortífera da gripe aviária poderá afetar o continente americano, segundo um comunicado desta instituição divulgado nesta quarta-feira.
A FAO propõe uma estratégia preventiva em um livreto informativo dirigido aos agricultores da América Latina e adverte sobre as consequências de uma chegada do vírus H5N1 ao continente americano, primeiro produtor mundial de aves domésticas.
''Os pássaros selvagens, principalmente asiáticos, que acompanham as rotas migratórias da Sibéria Oriental até o Alasca, ou da Islândia até o norte do Canadá, via Groelândia, podem ser os causadores da introdução do vírus no continente americano'', afirma a FAO. ''O vírus H5N1 seria capaz de seguir as rotas migratórias norte-sul e se estender até a Terra do Fogo'', sul da Patagônia, explicou.
''Se a gripe aviária irromper na América Latina e no Caribe, colocará em perigo a segurança alimentar de grupos vulneráveis. Em países como o Peru, mais de 70% das proteínas animais consumidas provêm das aves'', advertiu a agência da ONU. ''O continente americano é o primeiro produtor mundial de aves domésticas (4,85 bilhões), com o Brasil liderando o pelotão'', acrescentou.
Para ajudar os pequenos agricultores a se prepararem para este perigo, a FAO publicou um manual que detalha ''as medidas suscetíveis de reforçar a segurança nas criações avícolas, evitando principalmente qualquer contato entre os pássaros dos criadouros e as aves silvestres que poderiam ser portadoras do vírus da gripe aviária altamente patogênico''.
Segundo Joseph Domenech, chefe do serviço veterinário da FAO, ''é importante que os granjeiros estejam por dentro das características da doença para que possam reconhecê-la e informar imediatamente a autoridades competentes no caso de detecção de focos''.
''A prevenção é uma arma muito eficaz. Permite evitar danos maiores e, ao mesmo tempo, manter a América Latina fora do alcance do vírus mortal'', acrescentou. ''Embora a cepa H5N1 ainda não tenha sido detectada no continente americano, outros subtipos do vírus da gripe aviária (H5N2, H7N3) provocaram doenças em animais durante os últimos anos, sobretudo no Canadá, Chile, Estados Unidos e México. Todos foram eliminados'', lembrou a FAO.
O vírus H5N1 já provocou há meses uma epidemia na Ásia, na África e em vários países da Europa. A mutação do vírus pode causar uma pandemia de milhões de mortos em todo o mundo, segundo as reiteradas advertências da Organização Mundial da Saúde (OMS).


